Já em Janeiro escrevi sobre este assunto e o problema continua, embora se vá revestindo de aspectos diferentes.
Quando soube da notícia, pensei imediatamente em postar. Pois não é óbvio? Todos os dias há atrocidades tremendas pelo Mundo fora, mas notícias de julgamentos destas atrocidades, notícias da reposição da justiça, essas são quase inexistentes.
O meu primeiro pensamento foi: para quando o julgamento dos PIDES? Será que estamos mesmo à espera que morram todos até ao último?
Mas não escrevi. Para quê? Isso não vai acontecer. Ou seja, com a falta de esperança deixei de acreditar e se não acredito, não vale a pena escrever. Quando se escreve, há sempre a ideia de que se vai contribuir para um objectivo, mesmo que só haja um leitor para aquele texto. A questão é deixar escrito qualquer coisa que se julga fará alguma diferença, mesmo que infinitesimal.
Ora, se o objectivo parece impossível, para quê escrever? Se já não acredito que faça qualquer diferença, não se justifica a perda de horas de sono para escrever e reescrever meia dúzia de frases.
A conclusão lógica seria fechar o blog. E no entanto, ao escrever, há qualquer coisa da Utopia que acorda, como que a dizer-me “a Utopia está de facto muito mais longe do que sonhavas, mas existe e é possível”. Será, mas não nos próximos séculos.
E será que a Humanidade sobrevive até lá?


1 comment
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Quinta-feira, 23 Outubro 2008 às 15:20
Anónimo
Querida Helena
Hoje foste tu que me despertaste para estas notícias.
Tens razão em tudo sobre o tempo. E das desigualdades tremendas que a sua injusta distribuição provoca. É a pior de todas. Mas……..apesar de sabermos que vamos morrer (apesar de sabermos que o tempo é sempre insuficiente) não vivemos até lá? Claro que sim. Uns dias com flores outros com pássaros e outros dias sem flores nem pássaros.
Um beijo
Jó