Os trabalhadores das livrarias Bulhosa (e da editora Civilização) têm mais uma vez os ordenados em atraso, enquanto assistem às passeatas da administração, Audi para aqui, Frankfurt para ali.
É preciso acrescentar que um livreiro da Bulhosa ou da Bertrand, entre outros grandes grupos, recebem muito mal. Trabalham muitas vezes em centros comerciais com horários alargados, organizados por turnos. Até aqui, nada de errado, também os médicos tabalham por turnos. Acontece que nas livrarias os turnos são muitas vezes decididos com uma curtíssima antecedência, sem qualquer espaço para planeamento da vida privada — o que impossibilita, por exemplo, ter filhos para ir buscar à escola a horas certas.
Os trabalhadores da Bulhosa juntaram-se neste grupo do FaceBook para expôr a questão dos salários em atraso. A reacção da administração? Seria pagar os salários! Seria, se não fossem umas bestas. Na realidade, a reacção foi vasculhar os perfis de todos os seus empregados e ameaçar aqueles que tinham “amigado” a página nos seus perfis. Do pagamento não houve notícias, só souberam de ameaças. Eles continuam a resistir, mantêm a página actualizada e é assim que hão-de ganhar a luta.
Para já, têm a minha admiração pela coragem, a minha solidariedade e esta minha ajuda na divulgação.
Adiram à página “Os ordenados em atraso na Bulhosa” em sinal de solidariedade e pressão sobre a administração deste grupo.



4 comentários
Comentários feed para este artigo
Sábado, 22 Outubro 2011 às 22:40
Anónimo
Percebo o desespero das pessoas, mas tornar esta situação pública nada tem de corajoso, mas demonstra antes falta de percepção do que está aqui verdadeiramente em causa. Acham que se a empresa ainda não pagou os salários foi porque não quis? Ou não terá sido antes porque a forte descida que tem ocorrido nas vendas a retalho não tem permitido fazer face atempadamente aos vários compromissos, que não se restringem ao pagamento de ordenados, e sem os quais a actividade pode ficar bloqueada e com consequências ainda mais nefastas para todos os colaboradores? O que pensarão os fornecedores da Bulhosa ao ler estas notícias? Pensam que irão continuar a fornecer, nomeadamente as novidades para o Natal? O Natal já não irá ser famoso devido à crise mas se a empresa não tiver livros, não poderá vender. Se não conseguir vender, os trabalhadores ficarão em melhor situação que a actual? Isto para não falar no impacto que estas notícias podem vir a ter junto das entidades financeiras com as quais a empresa se relaciona e junto dos próprios clientes. Esta bola-de-neve poderá ser imparável. Meditem nisto. E não chamem bestas a pessoas que não conhecem, nem façam juízos de valor relativos a situações que não conhecem de perto.
Domingo, 23 Outubro 2011 às 0:04
Rui Roque
Não costumo responder a quem se esconde atrás do anonimato. Mas quando o caso me diz directamente respeito, não posso deixar de o fazer.
Tornar esta situação pública ao fim de um mês sem pagamento de ordenado é um grito de desespero e nada tem a ver com coragem como muito bem diz o sr. anónimo.
Se a empresa está numa situação difícil e não tem capacidade de honrar o compromisso maior, que é pagar a quem trabalha, então olhem nos olhos dos funcionários e como gente crescida e de bem, expliquem a situação. Acreditando que os gestores e administradores desta empresa, são pessoas responsáveis, sérias e profissionais competentes, o que seria de esperar era o básico e essencial, primeiro está o pagamento dos trabalhadores, essa é a prioridade máxima. Caso não saiba, eu relembro: o país inteiro, a Europa e o mundo estão em crise e a forte descida das vendas afecta todos, mas nem todos deixaram de pagar aos trabalhadores.
As vendas na Bulhosa decresceram de facto, desde há cerca de um ano. mas um bom gestor, perante estes indicadores tem que prevenir estas situações e não correr riscos absurdos como os que têm ocorrido na Bulhosa, para já não falar em situações de puro desperdicio, que se quiser também as posso referir.
Quanto aos fornecedores da Bulhosa, como muito bem parece saber, se não todos, pelo menos os maiores e mais importantes estão cansados de saber, qual o verdadeiro estado das contas da empresa. Quanto ao Natal e aos livros que não vamos vender, mais uma vez a culpa é da administração, que não peveniu atempadamente essa situação, muitas vezes alertada pelos trabalhadores, no sentido de resolver os cortes que determinadas editoras nos impuseram.
Já no que respeita às instituições financeiras, deixo ao critério de quem sabe, resolver essa situação que a mim é totalmente estranha.
Os clientes, que sempre foram fidelizados pelos trabalhadores e a quem a administração insiste em não pagar a tempo e horas, esses são a razão maior para todos os dias abrir-mos e fechar-mos as portas das livrarias, como muito bem sabe toda a administração da Bulhosa Livreiros e esses clientes voltam sempre porque gostam dos profissionais que dão a cara mesmo em momentos graves como este.
Esta bola de neve pode ser parada e está nas mãos da administração fazê-lo, com o restabelecimento da normalidade nos pagamentos aos funcionários da Bulhosa.
Quanto às bestas, essas são as que acham que os trabalhadores deveriam estar indefinidamente calados enquanto o seu dinheiro é gasto sabe-se lá onde!!!
Terça-feira, 25 Outubro 2011 às 18:24
João Pinheiro
parece que a solução é continuar a vender. Isto vai lá com o novo do José Rodrigues dos Santos e com as novidades da Presença…
Segunda-feira, 24 Outubro 2011 às 22:26
Helena Romão
Eu devo esclarecer que a minha relação com a Bulhosa é única e exclusivamente a de cliente, normalmente bem atendida. Confirmo, como diz o Rui Roque, que na livraria, no seu posto de trabalho, nunca pressenti qualquer problema, os livreiros sempre mantiveram todo o profissionalismo.
Mas não deixam de ser cidadãos e ter direito a lutar pelos ordenados. E repare, anónimo, que se fizessem greve, seriam chamados preguiçosos, se escolhessem o tribunal, seriam exagerados… Nunca faltam ofensas a quem prefere cidadãos quietinhos, calados e se morrerem à fome tanto faz. Há sempre quem esteja pronto a defender a anulação dos direitos do trabalhador e de cidadania. Boa sorte nessa senda, mas devo avisá-lo que já perdeu.
O anónimo não deve ter noção nenhuma de gestão, mas se quiser, eu explico. A crise está mais que anunciada há muitos anos. No sector dos livros, ainda mais. A crise das livrarias em Portugal vem desde o aparecimento da Amazon.
Portanto, se a gestão da empresa não soube fazer as mudanças necessárias — nos produtos, na imagem, nos serviços, etc —, fazer as provisões para ter tesouraria para pagar ordenados atempadamente, é INCOMPETENTE!
Uma ruptura de liquidez acontece quando há um acidente imprevisível: um terramoto, um incêndio, uma inundação. De repente perde-se toda a mercadoria e os seguros não são imediatos no pagamento. Nesses casos de imprevisibilidade, pode compreender-se que repentinamente não haja liquidez para pagar ordenados — SÓ na livraria afectada.
Só que não foi nada disto que aconteceu, pois não? Este problema, de imprevisível, tem ZERO. Os outros 100% são todos de incompetência.