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Concordo com o que escreve o Daniel Oliveira.
É demasiado absurdo para ser verdade, mas verifiquei os jornais e parece mesmo que este referendo existe (não que eu duvide do Daniel, mas… não dá para acreditar). Não vou pôr aqui o cartaz — tenho demasiado nojo, mas está em todo o lado na net.
Um minarete é uma peça arquitectónica, uma parte de uma mesquita, como uma torre de uma igreja. Se se referendam minaretes deviam referendar-se torres de igreja, sinos e sinagogas. Num país que é um terço germanófilo não caía bem referendar sinagogas, daria muito mau aspecto, mas com minaretes parece que não há problema.
Tal como diz o Daniel no post dele o facto de tal coisa chegar a ser referendada, mesmo que seja chumbada, é um perigoso sinal. Significa que se acha normal que tal pergunta seja sequer feita! Depois… bem, depois vem o que já sabemos de cor!
Este incidente poderá até ser falado, haverá manifestações, mas o referendo terá lugar. O tempo passa e deixamos de estar tão indignados com tal barbaridade. Daqui a um ano virá qualquer outra coisa, que acharemos impensável e que criará burburinho, mas também isso passará. Os avanços parecem lentos, mas cinco anos não é nada…
Se a pergunta fosse: “Deveríamos instalar um ghetto em Varsóvia?”, só o facto de se mencionar tal coisa daria origem a um incidente internacional, uma intervenção de Merkel, Obama, se calhar até o Durão Barroso diria alguma coisa. Mas como são mesquitas… não tem problema.
Há dez anos não nos passaria pela cabeça ter um campo de concentração onde não houvesse julgamentos e onde estivessem presos sem sequer culpa formada — e diríamos que eram campos de concentração e que nós europeus sabíamos bem o que isso era e que nunca permitiríamos. No entanto, habituámo-nos a jantar durante oito anos a ver notícias de aviões a caminho de Guantánamo nos nossos aeroportos, por cima das nossas cabeças, com a colaboração dos nossos governos que elegemos e reelegemos e habituámo-nos com toda a naturalidade a ouvir opiniões dos comentadores de como tudo isso era normal, até positivo. Hoje Guantánamo tornou-se algo simples, com que se concorda ou discorda (como se fosse uma subida da taxa do IVA) em volta de uma mesa de petiscos, mas que não nos move para além de uma amigável conversa.
No entanto, foi o facto de se tornar normal bombardear infantários no Afeganistão ou ter Guantánamo sem lei que permitiu que hoje se possa fazer este referendo. E será quando este referendo se tornar normal que virá algo mais e assim por diante.
Nota pessoal: Eu que gostei sempre do “sino da minha aldeia”, logo haviam de vir estes gajos estragar-me o prazer. A partir de agora, de cada vez que o ouvir, hei-de pensar sempre porque raio tenho eu direito ao meu sino… um sino deixou de ser a minha pequena delícia dos sinos de Lisboa (emprestada ao Pessoa), passa a ser um símbolo do ataque a quem não pode ter os sons de que gosta, como a chamada do cimo de um minarete.
Segundo ponto: é óbvio que quem fala sobre insegurança é quem mais sabe do assunto. Mais ninguém conhece tantos criminosos (coisas pequenas, nada de grave: tráfico de armas, droga, ASSASSÍNIO…) como o tipo que falou na insegurança.
Mas se quer tornar a cidade mais segura, pode sempre emigrar com os amigos para… (ora deixa cá ver a quem é que eu desejo tamanha desgraça)… só se fôr para o meio do deserto (longe das rotas de circulação dos tuarégues) onde só haja areia! E mesmo a areia, coitada…
Só agora estive a ver o debate sobre Lisboa.
Primeiro ponto: aquilo foi um debate a dois assistido. Não é normal que os restantes candidatos não tivessem quase direito a falar. Bem sei que os programas da Srª Fátima Campos Ferreira costumam fazer parte da direcção de programação do entretenimento e não de informação, mas ainda assim… um mínimo de decência não ficava mal à Srª e à RTP.
Fui ver o concerto da Anne Sophie von Otter na Gulbekina na sexta-feira, uma homenagem aos presos de Therezín, que além dos trabalhos forçados eram ainda obrigados a divertir as tropas, fingindo ser muito felizes para os inspectores da Cruz Vermelha.
Foi considerado um campo modelo, de facto não havia uma linha de montagem da morte como em Auschwitz, mas as condições eram muito más, as horas de trabalho demasiadas, a comida diminuta e os maus tratos eram das SS (está tudo dito). Havia muita mortalidade por doença e fadiga e comboios regulares para Auschwitz com todos os “inúteis” (velhos, doentes e crianças).
O concerto foi organizado como se fosse um dos saraus que os prisioneiros eram forçados a fazer: peças deles próprios (prisioneiros), música ligeira, outra erudita, alguma nas fronteiras, Bach, algumas canções, sonatas, coisas com voz e outras só instrumentais.
As peças foram sendo apresentadas pelo grupo, que explicava o contexto da obra ou pedaços da vida dos seus compositores. As histórias são os mesmos relatos de bravura e heroicidade que conhecemos dos campos da morte: mães que salvam os filhos mas nunca mais os vêem, gente que dá a vida por solidariedade e amor. Estas pessoas existiram e fizeram MESMO estas coisas. São histórias que nos comovem, mas… e no momento? Qual de nós tomaria a mesma decisão?
Sendo uma homenagem e dado o contexto, não poderia ser um recital nos moldes tradicionais. Seria quase ofensivo se a cantora se apresentase num vestido de seda, com cauda e cores garridas. Anne Sophie apresentou-se com umas calças castanhas de corte banal, que qualquer um de nós tem em casa para ir tomar café, uma t-shirt e um blazer castanho com flores. A roupa, aqui, não é um detalhe. Mandam os cânones que uma cantora se apresente “mascarada” de Diva, com um enorme vestido maravilhoso e muita gente defende ainda que “calças nem pensar!” Mesmo que de cerimónia! Quebrar todas estas regras numa sala como a Gulbenkian é no mínimo audaz.
Depois, o alinhamento do concerto. Os recitais de canto são habitualmente da cantora com alguém lá atrás a acompanhar. Quando Anne Sophie von Otter é a cantora, Bengt Forsberg é o Pianista (não o acompanhador, mas o Pianista); e neste caso fizeram-se acompanhar por Daniel Hope no violino e Bebe Risenfors na guitarra, contrabaixo, acordeão e percussão. No alinhamento do concerto houve espaço para todos, no arranjo das canções não escritas também. Quando não cantava, Anne Sophie sentava-se numa cadeira, discreta, dando o palco e o destaque aos instrumentistas.
Esta simplicidade e igualdade de tratamento não foi específica deste concerto desta cantora. Se o guarda-roupa foi escolhido para uma homenagem aos presos de Therezín, o destaque dado aos instrumentistas não foi. Já vi esta mesma cantora há alguns anos, na mesma sala, dedicar metade do concerto à música instrumental. Antes do intervalo ela cantou com um vestido lindíssimo, seguindo todo o “guião” formal do que deveria ser um recital. Depois do intervalo entrou o quinteto (cordas e piano) e uma senhora de calças de ganga e óculos, que se sentou atrás do pianista para lhe virar as páginas e que só ao fim de algum tempo percebemos ser Anne Sophie von Otter. Qualquer instrumentista percebe a importância desta tarefa e de como a melhor pessoa para o fazer é alguém com quem se trabalhe há muito tempo. Mas não é óbvio para a maioria dos cantores prestar-se a isso.
A pura simplicidade numa cantora sai fora de todas as regras do ritual que é o recital de canto. É esta a audacidade de von Otter e é o que faz dela uma estrela mais brilhante que a maioria.
A UNESCO declarou o Tango como Património Cultural Imaterial d
a Humanidade.
Depois de ouvir o Fernando Alves procurei noutros sites. Procurei pelo Google. Procurei… Há um parágrafozito na RTP. Ponto final. Mais uma vez o verdadeiro jornalismo limita-se para o grande público a pouco mais que esta crónica de 5 minutos do Fernando Alves.
Tal como ele diz, até parece que esta notícia não tem nada a ver connosco!
Ora, além do paralelo referido na crónica radiofónica de estarmos também à espera de respostas relativas à candidatura do Fado, acresce que esta declaração deveria em princípio fortalecer a candidatura portuguesa. Os paralelos entre o Fado e o Tango são vários. São ambas canções urbanas específicas de uma região determinada, nascidas (ou melhor, foram nascendo…) mais ou menos na mesma época e por processos de miscigenação e aculturação paralelos. Enquanto fenómenos culturais são relativamente semelhantes.
Esta sim, poderia ter sido a verdadeira primeira página dos jornais no Dia da Música!
A resposta é: não.
Claramente, as pessoas que redigiram a Constituição não conheciam ainda o Cavaco. Não lhes tinha ainda acontecido uma das maiores desgraças das suas vidas.
Claro que a Consituição pretende preservar a Democracia. Por isso, quem faça um golpe de Estado ao governo não poderia ainda assim demitir o Presidente. Só na eventualidade de crimes cometidos nas próprias funções de PR é que este pode ser forçado a demitir-se. O residente fica sempre no seu posto e é o garante da Democracia.
Não passava pela cabeça de ninguém nessa altura que o PR fosse o pior dos ataques à Democracia e que, havendo tal candidato à Presidência, as pessoas votassem nele de livre vontade!!!
Mas agora precisávamos de uma forma de o obrigar a sair de Belém… com URGÊNCIA!
As pessoas demitem-se. Exigem (com razão), mas demitem-se. Não percebendo, julgo eu, que a abstenção é uma escolha. Não totalmente consciente, não consequente, mas uma escolha. Escolhe-se que fica tudo na mesma, que ganha a resignação. Escolhe-se que quem decide é o outro.
Ouve-se nas ruas e nos cafés que as pessoas não acreditam nos partidos que concorrem. Mas escolhem deixá-los estar. Porque um voto em branco é um voto, tem um significado. A abstenção não se sabe o que significa, podem ser milhentas coisas, até preguiça. Um voto branco diz: “exerço o meu direito/dever, acredito na Democracia, mas nenhum de vocês está a fazer boa figura na Democracia.”
Mas, se se demitem até no mais simples e rápido, como podem depois exigir que os políticos façam…?
Eu não o vi lá no boletim de voto… Ninguém o elegeu para coisíssima nenhuma! Que legitimidade tem esta besta para se pôr com declarações e a dizer o que o PM deveria ou não fazer?
Falo destas declarações hoje, segunda-feira, resclado das legislativas de ontem: O presidente da CIP considerou que seria «trágico» que o primeiro-ministro fizesse acordos com os partidos da esquerda, porque PCP e BE pretendem «acabar com a economia de mercado, aumentar a intervenção do Estado, reduzir a iniciativa» e «acabar com todas as grandes empresas». Seria um «desincentivo total» para as empresas, frisou.
Segundo, de facto vê-se que é um empresário assim ao estilo Manelinho da Mafalda: de Outubro (passado) até hoje, não percebeu nada! Gostei sobretudo da parte do “acabar com as grandes empresas.”
(Claro que se percebe que não é burro, tenta manipular e arma-se em esperto. Há quem caia — esses é que são os Manelinhos. E há quem o vá ouvir!)
A minha amiga Risoleta (isto é uma honra!) foi ver o concerto dos Dias da Música onde a Sofia Norton, o António Carrilho e a Elisabeth Davis estrearam a minha peça e escreveu esta crónica.
Ora aqui está uma das questões que os compositores debatem, meditam, pensam, escrevem… e atingem por vezes o belo, sobretudo quando escrevem em forma de notas. Por palavras, assim, ainda não tinha encontrado!



