Não pude ir. Esta coisa de estar abaixo do operariado, nesta classe reaparecida das cinzas do séc. XIX – o precariado, tem destas coisas: perdem-se os mais elementares direitos, como o da manifestação em dia útil (greve declarada ou não). Mas agradeço a quem pôde ir e o fez também por mim.

Não sei se o governo percebeu ainda, mas está mal. Todos os dias há manifestações pelos mais diversos assuntos, sem descanso nem aos domingos. Julgo não me enganar se disser que esta semana foi mesmo todos os dias – por causa das urgências, os estudantes, a habitação, etc. E ainda sobrou mobilização para hoje!

De qualquer modo, sr. Sócrates, se não percebeu, posso dar uma ajudinha: 150.000/10.000.000 = 1,5 %
Mas se fizer as contas em termos de votos, ou seja contando apenas com os eleitores recenseados: 150.000/9.000.000 = 1,66667 %

1,5 % da população esteve efectivamente na rua, apesar das dificuldades das deslocações a Lisboa, apesar da falta ao emprego, mesmo não estando declarada greve. Não é uma sondagem, sr. Sócrates, é na rua!

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