Estou a falar do 1º ministro, claro. A mim parece-me irrelevante.

Primeiro, porque sempre me irritou esta coisa dos títulos e das deferências: dr. para aqui, engº para ali, Professor Doutor para acolá… uma piroseira!

Segundo, porque não está escrito em lado nenhum que um(a) deputad@, um(a) secretári@ de estado ou um(a) ministr@, primeir@-ministr@ ou mesmo presidente tenha que ter habilitações mínimas. Só tem que concorrer a eleições e ganhar, e no caso da presidência há um limite inferior de idade.

Terceiro, a única utilidade de tirar a limpo esta história seria para aferir da honestidade do sr. em causa. Mas então não é necessário, porque sobre este assunto não há qualquer dúvida! Alguém ainda acredita na honestidade de Sócrates? Portanto, se mentiu ou não sobre este assunto, é completamente irrelevante! Porque sobre o que é relevante, mentiu!

Quanto à entrevista de ontem, foi um absurdo completo perderem a oportunidade preciosa e rara de ter o 1º ministro face a dois jornalistas, para fazer um desfile de diplomas universitários e recibos de propina, numa espécie de jogo de tira-teimas muito infantil.

Há bebés a nascer nas estradas a caminho das maternidades, e doentes a caminho das urgências: importa saber se já morreu alguém a caminho de umas urgências e se vamos ficar à espera que isso aconteça! E qual a probabilidade de um dos casos de partos que se fazem em ambulâncias não ser um parto absolutamente normal e ter complicações, com consequências graves ou mortais para a criança ou para a mãe? São o quê, danos colaterais do desenvolvimento do país?
E os salários? As reformas? O IVA a 21%, inclusivamente para muitos bens de 1ª necessidade? E como é que é com os vôos da CIA? Quem é que se responsabiliza? E o Jardim? E o offshore?
A moralização dos Bancos? E o mercado da especulação financeira e imobiliária? E as inspecções a funcionar realmente: nos impostos, nas escolas, nas universidades, na segurança alimentar…? E condições reais para o desenvolvimento da investigação científica? E o património cultural/ arquitectónico/ musical/ literário/…? Que é que vai acontecer ao São Carlos/Orq. Sinfónica Portuguesa/ Companhia Nacional de Bailado? Onde está um verdadeiro ensino universal das Artes, como existe para a matemática, as ciências, as línguas, o português…?

Para quando encarar tudo quanto é cultural, humano, civilizacional como património que não é quantificável e por isso não é medido pela batuta do lucro financeiro?
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Com tanta coisa tão essencial para saber, afinal ficámos a ver a novela do engenheiro. Que triste espectáculo! E que boa forma de poder dizer que se entrevistou o 1º ministro sem na realidade o pôr minimamente em xeque.

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