Não tendo termos de comparação com o “24 de Abril”, ao ver as imagens lembrei-me dos CRS de Sarkozy e da polícia de choque dos tempos do Cavaco (Marinha Grande, Ponte 25 de Abril, etc.).

Não tenho palavras para descrever o que senti quando vi no filme o nosso Chiado invadido e feito campo de batalha e treino de uns cães raivosos, que só são valentes porque estão armados até aos dentes. Se fossem Polícias não se comportavam como cães raivosos. Se fossem Polícias tinham cumprido a lei, garantindo a defesa e a segurança dos cidadãos.

Não pude ainda ir ao Chiado, mas pergunto: se a polícia alega que houve montras partidas, onde estão as fotografias? Uma montra partida vê-se e não se arranja da noite para o dia! As únicas provas que se encontram mostram brutalidade policial de grande violência e sem qualquer justificação. Houve um very-light, dizem os relatos. Mas então isso diria respeito a uma só pessoa e há procedimentos adequados para uma Força Policial lidar nesses casos, que asseguram o respeito da segurança dos restantes cidadãos e dos direitos do acusado. Dadas as circunstâncias, que confiança podemos ter na polícia? Quem nos garante que quem lançou o very-light não foram os próprios infiltrados da polícia, só para justificar a intervenção? Se fossem uma Força Policial em vez de um bando de raivosos estas dúvidas nem sequer surgiriam.

A polícia tem estado em polvorosa para defender o seu tão querido cartaz do Marquês de Pombal. A polícia, e a CML do agora foragido Carmona. Primeiro a polícia foi agressiva ainda antes do desfile, protegendo a imagem do líder do PNR como se de uma imagem religiosa se tratasse. Depois tirou a faixa que tinha sido colocada junto ao cartaz e que apelava a coisas tão subversivas como o debate de ideias (o desplante de vir apelar a coisas destas para a rua!). E depois devem ter ficado tão cheios de raiva de não poder fazer mais nada logo na altura, que aproveitaram a primeira ocasião que conseguiram.

Já hoje, com várias reportagens, fotografias e testemunhos publicados e divulgados na internet, o Ministro da Administração Interna cala e o respectivo Secretário de Estado consente.

É de destacar no Expresso uma jornalista que apresenta um video dos acontecimentos do Chiado. Muitos mais andam a circular pela net e são fáceis de encontrar, mas é de destacar um meio de comunicação social que fez o seu trabalho.

O Público hoje, na edição impressa rectificou, mas no próprio dia e ainda ontem, na edição online, atribuía os “desacatos” descritos pela polícia (e tomados naquele caso como verdadeiros sem sequer pestanejar) ao Movimento Não Apaguem a Memória. Podia ter ao menos confirmado a identidade das pessoas, ou a hora dos acontecimentos. Mas enfim, é a taxa de analfabetismo que temos…

Por sua vez, António Costa quebra o silêncio para vir defender a manifestação do PNR, desde já autorizada e devidamente legalizada. Curiosamente, no Largo do Rato. Coincidências… …”esse partido é tão legal como qualquer outro, como o meu [dele, António Costa] partido, como o PSD“, diz o Ministro, mas talvez seja bom pensar em não ir à sede do PS nesse dia, considerando que esse partido tão legal como o PS costuma defender que aconteçam “acidentes” a gente parecida com o Ministro.

Anúncios