O nosso sistema de Multibanco é dos mais avançados que conheço.
Em França, cujo sistema conheço bem, as máquinas servem para levantar dinheiro, ponto final. Ultimamente algumas também já permitem fazer carregamentos de telemóvel, para alguns tarifários das operadoras.

Saber o saldo? Ao balcão.
Saber o NIB? Veja o seu extracto, ou ao balcão.
Os últimos movimentos? Ao balcão.
Pedir cheques? Ao balcão.
Depósitos? Ao balcão.
Mudar o código? Alguns bancos permitem, ao balcão, e é pago.
Pagar a luz, a água, o imposto? Ao balcão da estação de correio.
Transferências? Ao balcão.
Carregar o passe? Na estação de metro ou autocarros.
Comprar o bilhete de comboio? Na estação de comboios.
Comprar o bilhete para um espectáculo? Na bilheteira.

Não faço ideia se os portugueses têm noção real do benefício que é este nosso sistema de Multibanco. Do quanto nos facilita realmente a vida quotidiana. Eu lembro-me bem das horas intermináveis que passava na fila da CGD por ninharias de nada. Ir à CDG naquela altura é como hoje ir à Segurança Social. Já se sabia que era para todo o dia.

Para os bancos também foi óptimo: passaram a ter pequenas agências com poucos funcionários em vez dos autênticos exércitos de gente a atender ao balcão. É muito mais barato e fácil que os processos passem directamente por uma máquina que transmite os dados informaticamente do que ter funcionários a atender ao balcão de cada vez que uma pessoa quer levantar 2 euros e saber o saldo da conta. Parece óbvio.

Só que nem tudo o que parece é. Assim, há um punhado de decisores, espera-se que especialistas, que vê um sistema bom, que funciona e até proporciona uma situação de ganho para todas as partes, tem oportunidade de o generalizar, e decide em vez disso acabar com ele.

Vamos portanto ter um serviço pior e pago! Como dizem os Canto Nono, “Requalificar é lindo!”

 

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