Ainda acerca da conversa de ontem com o Zé Mário Branco sobre o Zeca Afonso.

No fim, alguém falava da questão do saber ler/escrever música. No fundo, o “alfabeto” musical é como o alfabeto latino. Só parece mais estranho em Portugal, porque a aprendizagem musical não é difundida e acessível à população em geral.

Saber ler não significa saber pensar ou articular ideias. As “Rebelos Pintos” sabem juntar as letrinhas, têm cursos universitários e escrevem livros atrás de livros, todos nos tops de vendas. Nunca serão Escritoras, e aqueles livros não são de Literatura. O Poeta António Aleixo, por seu turno, semi-analfabeto – era o filho que apontava algumas das quadras dele, é um dos Poetas do século XX português, com ideias e reflexões que mantém actualidade ainda hoje.

Mas já estou a divagar… o que eu queria dizer é que o mais importante é sempre e apenas o saber pensar. Se este saber primordial lá estiver, então a literacia (em qualquer linguagem) será muito útil. Caso contrário, só serve para enfeitar.

Voltando à música, o que não falta (em qualquer tipo/género de música) são “Rebelos Pintos”… Mas quem saiba pensar, reflectir, verdadeiros conhecedores com mentes abertas (“Zecas”, “Zés Mários” e outros que tais) faz sempre falta – e faltam muitos mais.

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