Ao contrário das facilidades do Metro, a Casa da Música é uma complicação pegada. É pouco prática e desagradável para visitantes e residentes.

Por todo o lado há elevadores que só funcionam com cartões magnéticos, mas nem toda a gente que precisa de circular tem acesso ao tal cartão. Isso significa andar a toda a hora a procurar alguém com cartão e a pedinchar a todo o instante “Olhe, por favor, puxe-me o elevador”. Esta frase fora de contexto soa mal como tudo, mas eu andei a repeti-la a cada um que passava durante três dias! Porque tinha que trabalhar e ir da sala de ensaio para a de concerto e daí para o escritório, depois para o bar, etc. Sempre a pedir para me abrirem as portas ou puxarem os elevadores!

Os camarins são longíssimo da Sala 2 e também só se circula com cartão. Ou seja, quem não pertence a um dos agrupamentos residentes da CdM, ou se fôr artista convidado, tem que ter um acompanhante a todo o instante para puxar o elevador. Teoricamente podem utilizar-se as escadas de emergência, mas na prática é preciso um curso superior sobre labirintos para o poder fazer…

Os corredores e salas abertos ao público são bonitos, as cadeiras também são bonitas, ficam bem com a decoração; mas como se trata de assistir a espectáculos, mais valia que tivessem investido no conforto das ditas.
As áreas que público não vê são em betão nú e crú, como se fosse um prédio em obras: um gigantesco labirinto cinzento e indecifrável! Por exemplo, o escritório era separado da entrada por um simples vidro. No entanto, quem não tinha cartão tinha que dar a volta por outro andar, descer e voltar a subir só para se encontrar do outro lado do vidro (tanta coisa e nem direito tive a encontrar o Humpty-Dumpty!).

Há pormenores inexplicáveis e que na realidade são até gigantescos. Por exemplo, com uma casa cheia de elevadores por todo o lado e com alguns dos maiores elevadores do mundo para transportarem grandes pianos, orquestras inteiras, etc, como se explica que haja zonas inacessíveis a monta-cargas normais e onde os instrumentos só podem entrar ou sair se forem completamente desmontados? Isto é um custo gigantesco, porque significa que há pianos de concerto presos em determinadas salas e que não se podem tirar. Um piano de concerto, já agora, é apenas um gigantesco pormenor de largos milhares de euros.

No meio deste ambiente desagradável e cinzento, a trabalhar em subterrâneos côr de betão, há uma equipa extremamente simpática e agradável, que puxa o elevador centenas de vezes por dia com um sorriso e explica vezes sem conta o caminho labiríntico com passagem por vários andares para dar a volta a um vidro.

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