Dia 13 ouvi um concerto com esta soprano fabulosa: Frances Lynch.

A peça do Alejandro Viñao, que se pode ouvir no site dela, é muito boa. Forte… não é para quem tem estômago frágil ou ainda vive nas nuvens numa de vive e deixa viver a pensar que a guerra é uma coisa boa e misericordiosa que se faz aos outros e que até nem tem nada a ver connosco directamente.

E o que era o espectáculo?

Música? Sim.
Teatro? Também.
Teatro musical? bdakh… isso faz lembrar aquelas coisas do West End com muito barulho por coisa nenhuma!

Designações à parte: havia cenários muito simples, uma encenação também muito escorreita, música boa (bem… quase todas as peças eram boas), conteúdo (bom… quase todas as obras tinham conteúdo).

Houve uma peça de que eu claramente não gostei. Não tem lógica recitar um soneto tal e qual só com um movimento de que não se percebe o sentido e berrado/gritado/quase uivado sem razão nenhuma aparente. Claramente a compositora pensou que fazer novo é só fazer diferente; não precisa de ter razão, causa, métier, saber, interesse… só precisa de ser inédito. Há coisas que nunca se fizeram, porque simplesmente não têm interesse nenhum ser feitas! Não acrescentam nada: nem um belo ou uma noção de belo, nem diversão, nem distracção, nem conteúdo.

E depois há a Frances propriamente dita. O trabalho dela sobre as obras, o modo de as trabalhar, a precisão do tempo num ritmo caótico, a expressividade, mas sobretudo o domínio absoluto da voz. Ela não tem um timbre que espante, mas faz absolutamente TUDO o que quer com a voz! Todos os tabus que nos impõem durante anos (aos cantores): não fazer determinados sons, porque estragam a voz, não colocar na garganta, não fazer força… pois ela é capaz de infringir todas essas regras em simultâneo num só som e entrar dois segundos depois num agudo limpíssimo, colocado, com a dose certa de vibrato, tudo no sítio! Não é inédito (lembra imediatamente a Maria João), mas é uma fantástica raridade.

 

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