Nós europeus somos mesmo bons nesta coisa de repetir a História, mas os franceses são peritos. Veja-se só onde já vão outra vez. Que tal? Já faltou mais!
Num golpe de abertura, sim… porque apesar do que se diz, o presidente não é um ditador. Mostra-se aliás magnânime na sua permissão para que a ministra continue no posto. De qualquer modo não fará grande diferença…
Tudo porque uma nova lei presidencial (parece que naquelas paragens já só há leis deste género) a França passa a exigir testes de ADN para o reagrupamento familiar.

Esta entrevista é muito interessante para vermos como é que hoje um país sem analfabetismo e com meios de informação livre e plural, se deixa levar em histerismos, medos literalmente plantados para fins eleitorais, demagogias e populismos racistas. De como na Europa habituada a ridicularizar os eleitores de Bush, os medos se podem implantar e alimentar, enquanto os direitos vão sendo atropelando sempre em nome da segurança…

Aqui, por exemplo, e noutros muitos casos que me lembram imediatamente: o sindicalista posto em coma e deixado sem assistência pelos CRS enquanto estava sentado no chão em resistência pacífica numa manifestação, os dois jovens que morreram electrocutados, as centenas de relatos de prisões abusivas e sempre violentas de jovens – muito jovens – em manifestações, os controlos diários e brutais nas cités e no metro, as crianças das escolas e as associações distribuidoras de sopa pelos sem-abrigo utilizadas como isco para prender os imigrantes ilegais… desde os anos 90 – talvez mesmo antes – a semente foi sendo regada. E cresceu: certo é que numas eleições democráticas se elege um Sarkozy.

Falta saber onde isso nos vai levar, cheira-me que ainda só vamos no princípio… O TEDH bem pode refilar, quem tem o poder é que manda, e quem paga as multas do país são os outros.

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