Parece óbvio, é efectivamente uma lapalissada, mas infelizmente já não é adquirido.
Há certos serviço que são de natureza pública e não funcionam se não forem.

Da mesma forma que é ilógico pôr o Estado a gerir todos os restaurantes ou todos os cabeleireiros, também é absolutamente estapafúrdio entregar a privados os serviços que são públicos.

Durante quase trinta anos não tive razão de queixa dos CTT. Não sendo infalíveis tinham taxas de sucesso muito altas. Basicamente era carta enviada, carta recebida. Mesmo quando não havia leitores ópticos para os códigos postais, nem computadores, nem distribuição automatizada. Era tudo à mão, mas era!

Depois vieram os contratos com distribuidoras privadas, as concessões de serviços, etc. E pronto! O serviço de envio de uma carta ou encomenda é pago e contratado com os CTT. É apenas com os CTT que o cliente tem contacto. Mas quem presta o serviço é outra empresa, que o cliente nunca conhece e à qual não tem nunca acesso.

Ora a dita empresa desconhecida não entrega correio. Não faz o serviço para que é paga. Caixas de correio vazias durante dias e dias, encomendas que se sabe terem sido enviadas e que não chegam, etc.

A semana passada eu estava à espera de uma encomenda. Um dia chegou um aviso datado da véspera (obviamente na véspera a caixa de correio estava vazia), e como não tendo atendido a uma hora x, que por acaso coincide com a hora a que eu estou normalmente a tomar pequeno almoço muito perto da porta. Não é possível terem tocado e eu não ter ouvido. Mas no papel era isso que estava escrito e o meu interlocutor é um terceiro, os CTT, não a própria empresa que presta o serviço.

Esta não foi a primeira nem segunda vez que isto acontece e não sou certamente a única no bairro a quem isto acontece.

Ou seja, há que tirar tempo do meu emprego, telefonar para os CTT, eventualmente ir aos CTT e acabar por ser eu a levantar a encomenda nos correios, prestando EU o serviço que foi pago à empresa distribuidora. Pode perguntar-se, juntando todas as perdas de produtividade que isto engendra: será que há uma praga, será que todos os moradores do bairro tal são preguiçosos e andam a tirar tempos dos empregos? Não, a única calamidade que varre os moradores de Alcântara é uma empresa concessionada pelos CTT, a quem o Estado paga e que não presta qualquer serviço.

Temos então uma empresa que escapa a qualquer responsabilização, nunca tendo qualquer contacto com os reais clientes. Estes não têm sequer acesso a saber o nome da empresa nem a escolher que empresa querem contratar. É a isto que chama mercado livre? Eu cliente não tenho liberdade nenhuma! É verdade que é lucro certo, sobretudo com a “pequena fraude” da falsificação de informações nos recibos de entrega, acabando por ser o cliente a prestar o serviço! Perante os CTT é a palavra do destinatário da encomenda contra a informação escrita no recibo, não há queixas provadas, a empresa tem rácios de 100% de sucesso do ponto de vista do contratador, os CTT.

Quem se lixa é o cliente, que é cliente à força!!!

Anúncios