Sejamos honestos. Ninguém estava realmente à espera que os cúmplices europeus das ditaduras africanas dissessem alguma coisa de importante este fim-de-semana, pois não?
Ninguém achava realmente que a partir deste encontro começasse mesmo uma nova era para África, pois não? E que de repente os interesseiros chupadores europeus passassem realmente à assistência desinteressada?
Não. Desde sempre que a Europa agiu da mesmíssima forma: dá lucro? Bom lucro? Sim? Então não venham com histórias de genocídios e tal que não temos nada a ver com isso.

A única forma desta cimeira ter sido realmente vantajosa para África era, como dizia o Inimigo Público, se tivesse havido novo terramoto em Lisboa.

Eu confesso que tinha uma certa esperança de que algum juiz algures aparecesse de repente com um mandato de captura contra pelo menos algum daqueles tipos. Género Garzón… aproveitando eles estarem em solo europeu.

Depois pensei: bom, talvez ao menos dêem destaque aos governantes africanos dos países democráticos – onde há liberdade, eleições livres, oposição democrática ao governo, mostrando como a Democracia e o Desenvolvimento andam juntos. Sempre é pelo menos o destaque do exemplo positivo…

Parece que afinal tenho que me contentar com os aplausos dirigidos a Mugabe à chegada.

Aparentemente é isto que são hoje os líderes europeus – e nem sequer podemos dar da desculpa de não terem sido eleitos. Não temos rigorosamente nada de que nos orgulhar.

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