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Daniel Barenboim é um dos homens mais impressionantes do nosso tempo. Pela forma maravilhosa como toca e dirige e pelo que faz com a música que toca.

Aqui há uns anos juntou numa orquestra israelitas e árabes e andou a correr mundo. Todos afinados e a tocar em conjunto: afinal era possível.

Este fim-de-semana, depois de um concerto em Ramallah, tornou-se o primeiro israelita a ter dupla nacionalidade: é palestiniano. E acrescentou “que aceita o passaporte palestiniano, porque simbolisa os fortes laços que unem israelitas e palestinianos”.

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E eu que não sei para onde me virar e o que hei-de ver primeiro…

O que tinha a dizer sobre este assunto, está dito. Só posso repetir. A Europa já cá estava e nós, povos, também.
Esta gente (sócrates, cavacos, merkels, sarkozys, etc), enquanto governos, estão só de passagem. Enquanto cidadãos têm direito à opinião deles e a um voto como o resto de nós. E, pasme-se, até têm direito a um processo constituinte honesto para lhes estabelecer uma Constituição. Tal como nós.

Ainda há países que andam nestas conversas.

Segundo o Público (sem link) até estão melhor: o ano passado só assassinaram 42 pessoas…
Como se sabe, a pena de morte é o melhor dissuasor do crime violento, aliás os EUA são disso um excelente exemplo. Quase não têm crime violento, a não ser os assassínios oficiais.

E ainda acham que são uma grande coisa… Ao menos a China não nos tenta vender a história da “democracy“, do terrorismo e da segurança.

Antes tinha tempo. Montes de tempo. Podia saber pormenores, investigar o que quisesse até ao tutano e sobretudo, podia pensar. Ter tempo para pensar é uma coisa absolutamente essencial e eu nunca me tinha apercebido disso. Ele – o tempo para pensar – sempre lá esteve, de uma forma ou de outra. Em suma, eu podia interessar-me por determinado assunto, seguir o fio de uma ponta à outra, ler os originais, conhecer os diversos pontos de vista (e o conhecimento de línguas foi neste ponto, absolutamente essencial) e depois matutar sozinha, perceber de tudo aquilo o que é que eu pensava do assunto.
E portanto, podia escrever coisas que eu achava interessantes e que não via escritas noutros sítios – blogs, jornais, etc.
Agora… Faço um esforço por ler os títulos das notícias, que obviamente não contêm quase informação nenhuma, não posso comparar pontos de vista e pior que tudo, não tenho tempo para pensar nos assuntos e tirar as minhas conclusões. Daí a dificuldade de escrever: nada do que me ocorre é original e corro o seriíssimo risco de dizer asneira.
Claro que sempre corri o risco de dizer asneira, o que acontece aliás a qualquer um que escreva para outros lerem, mas quando se tem uma opinião informada, esclarecida e um pensamento bem organizado, o risco é muito menor.
Se algum assunto me toca mais, penso que quero escrever isto ou aquilo, mas quando chego a casa à noite e no fim de jantar dou uma volta pela blogosfera e nos jornais online, constato que a única coisa que poderia escrever seria “subscrevo o que diz A” ou “assino por baixo no post de B”, que não é nem original nem minimamente interessante. Não vale um click por parte de ninguém. E para escrever um texto longo, reflectido e sério é preciso estar bem mais acordada do que eu consigo estar àquelas horas.
Já pensei fechar o blog, mas é uma decisão difícil. Portanto, por enquanto fica aberto. Assim, em slow motion como no cinema. Umas bocas aqui e uns textos – raros – ali.
Aprendi que o tempo – não os anos que passaram, não o que podíamos ter dito a alguém que entretanto foi embora – mas o tempo diário, útil, em horas em que ainda conseguimos pôr o cérebro a funcionar, é um bem escasso, mas absolutamente essencial à vida.

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Que se lixe a troika