Eu vim de longe – José Mário Branco

Foi o 25 de Abril possível no país da precariedade, no país que elegeu (livremente) para seu representante o mesmo tipo que tirou as pensões aos militares de Abril e condecorou os pides (sim… não esquecemos isso xô silva, esta fica-te para a eternidade).

Com conhecimento de causa, sabendo de antemão em quem ía votar e com experiência prévia, este país votou no Cavaco. Não seria possível esperar um grande desfile de liberdade.

Há-de vir um dia a madrugada em que conquistaremos os direitos do Século XX: salário mínimo, subsídio de desemprego, férias, projectos de vida, subsídio de férias e natal, direito à greve, horário de trabalho… enfim, não parece nada de especial, seria apenas e só o cumprimento da lei que já existe; mas na realidade está longe, muito longe.

Não pode haver Abril a sério num país sem os direitos mais básicos nem memória.

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