Há mais de 200 anos, no Verão de 1772, Haydn era Director da Orquestra da Corte do Príncipe Eszterházy. A estadia no Palácio de Verão estava a ser bastante mais longa do que o esperado e os músicos não estavam contentes por não ver as famílias, que tinham ficado na cidade de Eisenstadt.

Haydn era o mais velho deles e o mais antigo na corte, além de ser o Director. Como o Príncipe parecia não querer perceber o descontentamento dos músicos, Haydn dedicou-lhe uma sinfonia, a Sinfonia do Adeus. No fim do último andamento, os músicos um por um iam apagando a sua vela e saiam, ficando no fim apenas dois violinos.

O Príncipe percebeu e no dia seguinte a corte voltou ao Palácio da cidade e os músicos para junto das famílias!

Esta interpretação foi a única que encontrei com imagens de concerto e por isso peço desde já as minhas desculpas – reparem nos músico e perceberão porquê. Serve de redenção o facto de o maestro ser Baremboim e da sua representação de maestro abandonado ser muito engraçada. A Filarmónica de Viena toca bem, mas como se vê no vídeo (de 2009 e não de 1009 como parece) e no site da própria orquestra, quase não tem mulheres. Diz na parte relativa a candidaturas que se esforçam por contratar mulheres, mas na lista de nomes contam-se pelos dedos de uma mão e sempre nas últimas estantes. De facto, até há bem pouco tempo a FV era conhecida por não contratar mulheres de todo. Agora não podem fazê-lo abertamente, mas por enquanto não se vê grande esforço para o fazer a encoberto.

Fica então o último andamento da Sinfonia do Adeus de Haydn, dirigido por Daniel Baremboim.

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