Rameau, compositor e teórico do séc. XVIII, era temido pelo público. A fama enquanto filósofo e teórico impôs-se muito cedo, precedia-o e o público achava que alguém que falava tão eloquente e sabiamente sobre notas e intervalos só poderia fazer uma música entediante. Sem nada ter ouvido partiam do  pressuposto que, se ele estudava o assunto, só podia ser um chato.

Partiam do pressuposto que a Música devia ser “natural”, “vir do fundo da alma” ou coisa parecida. Alguém que pense sobre o assunto só pode fazer má Música. Já no século XVIII parecia esquecido o facto de que a Música foi a única Arte que fez parte do Quadrivium — com a Aritmética, a Geometria e a Astronomia — que configurava as Ciências nas primeiras Universidades.

Uma parte do problema actual é este mesmo: os compositores são quase todos simultaneamente pensadores, reflectem sobre o seu papel na Música Contemporânea e na Música em geral, sobre o papel da Música na vida das pessoas e sobre o posicionamento da Música face às restantes Artes e até à actualidade e realidade do Mundo. Hoje como no século XVIII, são tidos como maus músicos e a Música Contemporânea é toda metida no mesmo saco “feita por uns tipos que pensam muito”. E portanto, nem se ouve.

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