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A resposta é: não.

Claramente, as pessoas que redigiram a Constituição não conheciam ainda o Cavaco. Não lhes tinha ainda acontecido uma das maiores desgraças das suas vidas.

Claro que a Consituição pretende preservar a Democracia. Por isso, quem faça um golpe de Estado ao governo não poderia ainda assim demitir o Presidente. Só na eventualidade de crimes cometidos nas próprias funções de PR é que este pode ser forçado a demitir-se. O residente fica sempre no seu posto e é o garante da Democracia.

Não passava pela cabeça de ninguém nessa altura que o PR fosse o pior dos ataques à Democracia e que, havendo tal candidato à Presidência, as pessoas votassem nele de livre vontade!!!

Mas agora precisávamos de uma forma de o obrigar a sair de Belém… com URGÊNCIA!

As pessoas demitem-se. Exigem (com razão), mas demitem-se. Não percebendo, julgo eu, que a abstenção é uma escolha. Não totalmente consciente, não consequente, mas uma escolha. Escolhe-se que fica tudo na mesma, que ganha a resignação. Escolhe-se que quem decide é o outro.

Ouve-se nas ruas e nos cafés que as pessoas não acreditam nos partidos que concorrem. Mas escolhem deixá-los estar. Porque um voto em branco é um voto, tem um significado. A abstenção não se sabe o que significa, podem ser milhentas coisas, até preguiça. Um voto branco diz: “exerço o meu direito/dever, acredito na Democracia, mas nenhum de vocês está a fazer boa figura na Democracia.”

Mas, se se demitem até no mais simples e rápido, como podem depois exigir que os políticos façam…?

Eu não o vi lá no boletim de voto… Ninguém o elegeu para coisíssima nenhuma! Que legitimidade tem esta besta para se pôr com declarações e a dizer o que o PM deveria ou não fazer?

Falo destas declarações hoje, segunda-feira, resclado das legislativas de ontem: O presidente da CIP considerou que seria «trágico» que o primeiro-ministro fizesse acordos com os partidos da esquerda, porque PCP e BE pretendem «acabar com a economia de mercado, aumentar a intervenção do Estado, reduzir a iniciativa» e «acabar com todas as grandes empresas». Seria um «desincentivo total» para as empresas, frisou.

Segundo, de facto vê-se que é um empresário assim ao estilo Manelinho da Mafalda: de Outubro (passado) até hoje, não percebeu nada! Gostei sobretudo da parte do “acabar com as grandes empresas.”

(Claro que se percebe que não é burro, tenta manipular e arma-se em esperto. Há quem caia — esses é que são os Manelinhos. E há quem o vá ouvir!)

A minha amiga Risoleta (isto é uma honra!) foi ver o concerto dos Dias da Música onde a Sofia Norton, o António Carrilho e a Elisabeth Davis estrearam a minha peça e escreveu esta crónica.

“Existe na música o tempo, mas está a música no tempo? O tempo tem uma música? A música, tendo o tempo terá ela um tempo? E como se tempera hoje o tempo da música? Era bem temperado o cravo de Bach, passará ainda hoje pela temperança o tempero da música?”

Risoleta Pinto Pedro


Ora aqui está uma das questões que os compositores debatem, meditam, pensam, escrevem… e atingem por vezes o belo, sobretudo quando escrevem em forma de notas. Por palavras, assim, ainda não tinha encontrado!

A campanha está a ficar desmesuradamente desonesta: alguém anda a sentir-se muito apertado pela subida do BE!

Ela diz que há asfixia. Tem razão. Andam por aí líderes partidários a falar de suspender a Democracia por seis meses. Por coincidência é a própria!

Na Madeira não há qualquer asfixia, as votações são tão inequívocas como na Coreia do Norte.

Ele diverte-se com tudo isto. Devia ser o garante da Democracia. Devia ser o Presidente dos Portugueses todos, um por um. Mas ri-se apenas. Acha piada.

Tem saúde, diz que respira bem… É pena, porque um quase ex-Presidente saudável sai muito caro ao país.

O post que eu iria fazer já foi feito pelo João Rodrigues, e muito bem. Fica o link.

Não vem a propósito de nenhuma efeméride. Eu simplesmente não paro cantarolar esta canção nos últimos dias. Porque é linda de morrer, porque é necessária, porque há muitos “Nunca máis” que precisam de ser reafirmados, porque é tão bom ouvir canções de protesto e cantores novos a dizer estas coisas agora relativamente ao que se vai passando agora.
As canções antigas são maravilhosas e é sempre bom lá voltar, mas os problemas e os protestos de hoje precisam de canções feitas hoje.

Letra: Xabier Cordal
Música: Bieito Romero

Canto da dor de Luar na Lubre trala catástrofe de aquel petroleiro que vomitaba insignificantes hilillos de fuel, segundo o diagnóstico da imperturbable clase dirixente. Bieito Romero escribiu unha melodía fermosa e triste para remitirlla a Xabier Cordal, insigne poeta e compañeiro de risas e viños durante moitas tardes polo vello casco histórico coruñés. O resultado, lonxe de calquera tentación panfletaria, é esta fermosa canción de amor, baixo os designios dese mar que fascina, intimida e dá alimento a todo un pobo.

Madrugada, o porto adormeceu, amor,
a lúa abanea sobre as ondas
piso espellos antes de que saia o sol
na noite gardei a túa memoria.

Perderei outra vez a vida
cando rompa a luz nos cons,
perderei o día que aprendín a bicar
palabras dos teus ollos sobre o mar,
perderei o día que aprendín a bicar
palabras dos teus ollos sobre o mar.

Veu o loito antes de vir o rumor,
levouno a marea baixo a sombra.
Barcos negros sulcan a mañá sen voz,
as redes baleiras, sen gaivotas.

E dirán, contarán mentiras
para ofrecerllas ao Patrón:
quererán pechar cunhas moedas, quizais,
os teus ollos abertos sobre o mar,
quererán pechar cunhas moedas, quizais,
os teus ollos abertos sobre o mar.

Madrugada, o porto despertou, amor,
o reloxo do bar quedou varado
na costeira muda da desolación.
Non imos esquecer, nin perdoalo.

Volverei, volverei á vida
cando rompa a luz nos cons
porque nós arrancamos todo o orgullo do mar,
non nos afundiremos nunca máis
que na túa memoria xa non hai volta atrás:
non nos humillaredes NUNCA MÁIS.

Auditoria

Que se lixe a troika