Fica uma pessoa anos (quase 3 anos) a pensar se publica ou não publica, se fica transida de medo que outra qualquer pessoa (que não exclusivamente a Miso e respectivos Azguimes) enfie uma carapuça que não lhe é dirigida, que passe a ser conhecida como “contestatária” e nunca mais na vida arranje trabalho, etc. São anos de reflexão! E medo.

O medo costuma dominar e na maioria dos casos quando há uma denúncia (que já de si é coisa rara) protegem-se os criminosos com o anonimato. Mas que universo é este? A vítima tem que se identificar para ser credível e o infractor tem todos os direitos?!
Como em todos os crimes, quanto maior a gravidade, maior é o silêncio que se cria à volta e mais se protege o agressor de tão graves acusações. A vítima… aguente-se! O ambiente de monopólio (deste caso) torna exponencial esse silêncio. Serve, aliás, como ameaça implícita permanente.

Há um universo gigante de diferença entre pequenas coisas do dia a dia, questões práticas, às vezes até pequenas infracções legais e um crime continuado, insistente que é o Assédio Moral. Formalmente há mesmo uma diferença legal muito grande entre infracção e crime.

Em todas as relações há diferendos, toda a gente tem dias bons e dias maus, toda a gente se enerva e se exalta e diz coisas sem pensar. Onde há mais do que uma pessoa, há discussões, é inerente ao Ser Humano. Em casa, na rua, no trabalho. Assim como no senso comum toda a gente percebe a diferença (o gigantesco universo de diferença) entre uma simples discussão familiar (coisa do quotidiano e absolutamente normal) e um crime de Violência Doméstica, no trabalho essa diferença é a mesma.
A diferença fica ainda mais clara quando se conhecem outros ambientes laborais e se estabelece uma comparação. Então percebe-se que discussões há em todo o sítio e é normal. Uma pessoa que se dá ao trabalho de debater connosco, mesmo que a coisa aqueça e se torne numa discussão, é porque nos respeita e quer a nossa opinião. Mesmo que, obviamente, uma decisão final sobre qualquer assunto seja da responsabilidade do superior hierárquico.
Tratamento humilhante não há em todo o sítio, não é normal e é desumano! Não há qualquer respeito envolvido.

Uma discussão é ultrapassada e resolvida por pessoas civilizadas, qualquer que seja a relação hierárquica.
Outra coisa, completamente diferente, é um assunto de polícia: absoluta ausência de respeito, abuso de poder e da relação hierárquica para infringir a lei laboral (encurtar férias, por exemplo), humilhação, tratamento indigno, violência psicológica continuada, ofensas, acusações infundadas apenas para amedrontar, controlo desproporcionado e clima de desconfiança permanente, imposição de condições que podem ser lesivas para a saúde apenas por prepotência e gozo na maldade, mudança arbitrária, sem motivo e sem pré-aviso das regras de funcionamento ou dos horários: isso é crime.

Para mim chega de medo! Este post estava a ser escrito na minha cabeça desde 24 de Dezembro de 2008. É uma boa data para despedir uma pessoa, não é? Elogio: coerência não falta aos auto-denominados “patrões proletários”! Ah, espera… lá se vai o meu elogio!…

Notas:
1) Uma vez que nada disto foi objecto de processo judicial — porque eu levei 3 anos a pensar e os tribunais não esperam, tudo o que aqui está pode ser formalmente considerado difamação. É possível, portanto, que ainda por cima seja eu a ver-me como acusada. Seria bonito, já que para que seja provada uma difamação, teria que ser apurado que tudo o que aqui está antes é mentira. Ora, as provas de que é verdade estão guardadas e seguras. Além disso, já disse: chega de medo. Não devo nada a ninguém.

2) O que me levou a finalmente publicar é o facto de ver cada vez mais pessoas em situações com parecenças. A crise é também uma oportunidade para a prepotência e o abuso, porque o medo de ficar desempregado é maior que o medo de falar. O Assédio Moral deixa marcas para a vida, como qualquer abuso e humilhação. Por isso, para todas as pessoas que estão hoje nessa situação: há vida para além do Assédio Moral; ele deixa marcas, mas o tempo também. E um emprego não tem que ser isso. Nenhum dinheiro paga a sanidade mental e a dignidade Humana!

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