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Se todos os blogs re-postarem o artigo dos PI, a AXES não vai poder lançar providências cautelares contra toda a blogosfera portuguesa! Por outro lado, se de facto o artigo tiver que ser apagado, fica aqui:

No dia seginte, fui então para o “terreno” com aquele que viria a ser o meu “leader” e mais dois colegas. O primeiro começou por fazer-me perguntas básicas: a minha experiência profissional, os meus objectivos, etc. Quando lhe disse que já tinha tido alguns empregos de Verão em lojas e que gostava do contacto com o público, ele respondeu: “Pois, mas vendedor qualquer idiota pode ser. Nós estamos a recrutar líderes, e a fase das vendas directas não é determinante, é apenas parte do processo.”. Eu não me recordava de me ter candidatado a chefe de equipa uma vez que, como já referi, sou estudante e estava apenas à procura de um part-time – mas enfim, se encontrasse algo melhor que um call center não me faria rogada. Posteriormente, fui bombardeada por uma série de questões e informações acerca da área das vendas directas (porta-a-porta), enquanto, literalmente, corria atrás do tal líder. Tive ainda que responder a um questionário sobre os meus pontos fortes e fracos (10 de cada), bem como mencionar 15 características de um bom líder. Para além disso, foi-me pedido que respondesse a 3 adivinhas e que dissesse como imaginava a minha vida em 1, 5 e 10 anos. Tudo isto enquanto subia e descia escadas.
Dada a dificuldade de encontrar na internet qualquer informação relevante acerca da empresa (que tem, pelo menos, três nomes) optei por pesquisar o nome do director e as minhas suspeitas confirmaram-se: a empresa não passa de um esquema para encher os bolsos de quem está no topo, não tanto através das vendas, mas sobretudo do recrutamento de “distribuidores” (nas três semanas em que lá trabalhei, entraram pelo menos vinte novas pessoas), que serão, também eles iludidos pela promessa de crescimento profissional e sugados por charlatães que tentam a todo o custo afastar-nos da realidade e que nos querem fazer crer que somos uns preguiçosos se o dia de trabalho não nos corre bem – mesmo depois de termos passado o dia inteiro à chuva, a bater a portas e a ouvir reclamações.
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Nous, on est déjà au XXIème, mais vous avez bien le temps de ratrapper, si vous vous en mettez vite fait!

Das coisas que mais me irritavam em França, esta ganhava. Socialmente, sempre que não estava num grupo que se tratasse na base do primeiro nome, as apresentações tinham uma ordem específica:
1) Mme ou mlle: casada ou solteira, pertence a um pai ou a um marido? Antes de tudo, a primeira coisa a declarar era casada ou solteira!
2) Apelido: nome do dono.
3) já não temos tempo… nem é nada de importante

Nos formulários oficiais, impostos, segurança social, universidade, qualquer coisa: no cabeçalho, primeira pergunta, antes do nome, antes de tudo, mme, mlle ou m. Se for mulher tem que declarar à cabeça se é casada ou solteira. Antes de tudo. Ainda não tem nome, não tem idade, não tem rendimentos a declarar, mas já tem dono.

Eu chamava-lhe primitivismo, filha da putice, medievo no pior dos sentidos, machismo inculcado nas carolas. Bestialidade. A avaliar pelos comentários que a ministra que propôs a abolição teve que ouvir, fui muito meiguinha no que lhes chamei. Bom… será que o hexágono chega algum dia ao século XXI?

 

VER PARA AGIR

Porque só depois de sabermos o que constitui cada pequena parcela da dívida pública poderemos saber o que pensar dela. Quando soubermos quanto devemos, a quem, a título de quê. Depois teremos nas nossas mãos toda a informação para pensar, reflectir sobre cada parcela da dívida e saber, assim, o que queremos exigir ao governo relativamente a cada uma (se alguma exigência há a fazer). Mas primeiro a informação, a transparência. É isso a auditoria: transparência e informação nas nossas mãos.

Cidadã, porque só a iniciativa cidadã garante total transparência. O governo tentaria esconder todos os erros dos governos passados do mesmo partido, para evidenciar apenas os erros do partido oposto. As grandes auditoras têm um papel tão importante na geração da crise e no lucro que dela tiram, que não garantem a menor imparcialidade. Portanto, apenas uma comissão designada pela cidadania pode conseguir a transparência necessária.

Na Irlanda o mesmo processo começa a produzir resultados concretos. Não é um processo vazio. Tem resultados.

Depois, de informação na mão e punho em riste, depende de nós o que fazer com ela.

Ligações:

http://auditoriacidada.info/

http://www.facebook.com/pages/Iniciativa-por-Uma-Auditoria-Cidad%C3%A3-%C3%A0-D%C3%ADvida-P%C3%BAblica/242233212502615

Os trabalhadores das livrarias Bulhosa (e da editora Civilização) têm mais uma vez os ordenados em atraso, enquanto assistem às passeatas da administração, Audi para aqui, Frankfurt para ali.

É preciso acrescentar que um livreiro da Bulhosa ou da Bertrand, entre outros grandes grupos, recebem muito mal. Trabalham muitas vezes em centros comerciais com horários alargados, organizados por turnos. Até aqui, nada de errado, também os médicos tabalham por turnos. Acontece que nas livrarias os turnos são muitas vezes decididos com uma curtíssima antecedência, sem qualquer espaço para planeamento da vida privada — o que impossibilita, por exemplo, ter filhos para ir buscar à escola a horas certas.

Os trabalhadores da Bulhosa juntaram-se neste grupo do FaceBook para expôr a questão dos salários em atraso. A reacção da administração? Seria pagar os salários! Seria, se não fossem umas bestas. Na realidade, a reacção foi vasculhar os perfis de todos os seus empregados e ameaçar aqueles que tinham “amigado” a página nos seus perfis. Do pagamento não houve notícias, só souberam de ameaças. Eles continuam a resistir, mantêm a página actualizada e é assim que hão-de ganhar a luta.

Para já, têm a minha admiração pela coragem, a minha solidariedade e esta minha ajuda na divulgação.

Adiram à página “Os ordenados em atraso na Bulhosa” em sinal de solidariedade e pressão sobre a administração deste grupo.

A escravatura foi abolida na lei. Há muito tempo. Agora é feio chamar-lhe escravatura. Mas vejamos. O escravo vivia em instalações fornecidas pelo seu dono e tinha a comida e as condições suficientes para continuar produtivo. Ir ao mercado (e ainda há um em Lagos, que vale a pena visitar, nem que seja para sentir como é um sítio onde eram vendidas pessoas) era caro e dava trabalho. Era habitualmente mais barato manter produtivos os escravos que já se tinha.

Agora os estágios gratuitos sucedem-se. A entidade patronal comanda toda a vida do estagiário, diz e desdiz as horas de entrada e saída a seu bel prazer e nem sequer tem que pagar alojamento, deslocação e alimentação. O estagiário (que é feio chamar escravo) tem que se arranjar para pagar isso tudo do seu bolso!

Um precário ganha qualquer coisa, mas também tem que pagar a segurança social e os seguros que forem obrigatórios, pelo que o alojamento e a comida (que para os escravos eram gratuitos) já lhe saem do bolso e não dos honorários. As condições de trabalho também são a bel prazer do patrão, as fúrias que se aturam, os horários, o medo do despedimento a cada minuto. Dizer que não são donos é mesmo só por cortesia (ou por medo de um processo por difamação — porque não se pode chamar as coisas pelos nomes, tem sempre que se usar o palavreado da moda).

Mas há ainda a escravatura a que é aceitável chamar escravatura. Os raptos para trabalho, capatazes que ficam com os documentos para as pessoas não poderem fugir (em fábricas, quintas, construção, trabalho sexual, as hipóteses são múltiplas). Há hoje (na segunda década do século XXI) um mercado (consta que ali para os lados da Praça de Espanha) onde todo os dias passam carrinhas para escolher trabalhadores para levar à jorna, como nos filmes sobre o século XIX. Fazêmo-lo aos africanos, europeus de leste e orientais, enquanto não páram de chegar relatos de portugueses raptados em quintas (Espanha, Irlanda, etc.), que levam meses a conseguir contactar as embaixadas portuguesas para pedir socorro.

A lei aboliu-a, mas na nossa vidinha está muito viva. Quem pode garantir com absoluta certeza que vive numa casa construída sem escravatura?

Em suma, os modelos actuais de precariado nem são bem escravatura. São muito mais lucrativos que isso!!!

de Gui Castro Felga

Em adesão ao protesto internacional convocado pelos movimentos ‘indignados’ e ‘democracia real ya’, em Espanha, ocorrerá, no Porto, uma manifestação sob o tema ‘a democracia sai à rua’, no dia 15 de Outubro de 2011. As razões que nos levam para a rua são muitas e diferentes, de pessoa para pessoa, de país para país – não querendo fechar o protesto a outras exigências de liberdade e de democracia, mas para que se saiba porque saimos para a rua, tentámos, entre os que estão a ajudar na organização e na divulgação do 15 de outubro, encontrar as reivindicações que nos são comuns – entre nós e relativamente aos outros gritos das outras praças, nas ruas de todo o mundo:

Dos EUA a Bruxelas, da Grécia à Bolívia, da Espanha à Tunísia, a crise do capitalismo acentua-se. Os causadores da crise impõem as receitas para a sua superação: transferir fundos públicos para entidades financeiras privadas e, enquanto isso, fazer-nos pagar a factura através de planos de pretenso resgate. Na UE, os ataques dos mercados financeiros sobre as dívidas soberanas chantageiam governos cobardes e sequestram parlamentos, que adoptam medidas injustas, de costas voltadas para os seus povos. As instituições europeias, longe de tomar decisões políticas firmes frente aos ataques dos mercados financeiros, alinham com eles.

Desde o começo desta crise assistimos à tentativa de conversão de dívida privada em dívida pública, num exemplo de nacionalização dos prejuízos, após terem sido privatizados os lucros. Os altos juros impostos ao financiamento dos nossos países não derivam de nenhuma dúvida sobre a nossa solvência, mas sim das manobras especulativas que as grandes corporações financeiras, em conivência com as agências de rating, realizam para se enriquecerem. Os cortes económicos vêm acompanhados de restrições às liberdades democráticas – entre elas, as medidas de controlo sobre a livre circulação dos europeus na UE e a expulsão das populações migrantes. Apenas os capitais especulativos têm as fronteiras abertas. Estamos submetidos a uma mentira colectiva.

A dívida privada é bem maior que a dívida pública e a crise deve-se a um processo de desindustrialização e de políticas irresponsáveis dos sucessivos governos e não a um povo que “vive acima das suas possibilidades” – o povo, esse, vê diariamente os seus direitos e património agredidos. Pelo contrário, o sector privado financeiro – maior beneficiário da especulação – em vez de lhe aplicarem medidas de austeridade, vê o seu regime de excepção erigido. As políticas de ajuste estrutural que se estão a implementar não nos vão tirar da crise – vão aprofundá-la. Arrastam-nos a uma situação limite que implica resgates aos bancos credores, resgates esses que são na realidade sequestros da nossa liberdade e dos nossos direitos, das nossas economias familiares e do nosso património público e comum. É preciso indignarmo-nos e revoltarmo-nos ante semelhantes abusos de poder.

Em Portugal, foi imposto como única saída o memorando da troika – têm-nos dito que os cortes, a austeridade e os novos impostos à população são sacrifícios necessários para fazer o país sair da crise e para fazer diminuir a dívida. Estão a mentir! A cada dia tomam novas medidas, cortam ou congelam salários, o desemprego dispara, as pessoas emigram. E a dívida não pára de aumentar, porque os novos empréstimos destinam-se a pagar os enormes juros aos credores – o déficit dos países do sul europeu torna-se o lucro dos bancos dos países ricos do norte. Destroem a nossa economia para vender a terra e os bens públicos a preço de saldo.

Não são os salários e as pensões os responsáveis pelo crescer da dívida. Os responsáveis são as transferências de capital público para o sector financeiro, a especulação bolsista e as grandes corporações e empresas que não pagam impostos. Precisamos de incentivos à criação de emprego e da subida do salário mínimo (em Portugal o salário mínimo são 485€, e desde 2006 duplicou o número de trabalhadores que ganham apenas o salário mínimo) para sairmos do ciclo recessivo.

Por isso, nós dizemos:

— retirem o memorando. vão embora. não queremos o governo do FMI e da troika!

— nacionalização da banca — com os planos de resgate, o estado tem pago à banca para especular

— abram as contas da dívida — queremos saber para onde foi o dinheiro

— não ao pagamento da dívida ilegítima. esta dívida não é nossa — não devemos nada, não vendemos nada, não vamos pagar nada!

— queremos ver redistribuídas radicalmente as riquezas e a política fiscal mudada, para fazer pagar mais a quem mais tem: aos banqueiros, ao capital e aos que não pagam impostos.

— queremos o controlo popular democrático sobre a economia e a produção.

— não queremos a privatização da água, nem os aumentos nos preços dos transportes públicos, nem o aumento do IVA na electricidade e no gás.

— queremos trabalho com direitos, zero precários na função pública (em Portugal o maior contratador de precários é o estado), a fiscalização efectiva do cumprimento das leis laborais e o aumento do salário mínimo.

— queremos ver assegurados gratuitamente e com qualidade os direitos fundamentais: saúde, educação, justiça.

— queremos o fim dos ajustes directos na administração pública e transparência nos concursos para admissão de pessoal, bem como nas obras e aquisições do estado.

— queremos mais democracia:

— queremos a eleição directa de todos os representantes cargos públicos, políticos e económicos: dos responsáveis pelo Banco de Portugal ao Banco Central Europeu, da Comissão Europeia ao Procurador Geral da República

— queremos mais transparência no processo democrático: que os partidos apresentem a eleições, não somente os programas mas também as equipas governativas propostas à votação.

— queremos mandatos revogáveis nos cargos públicos – os representantes são eleitos para cumprirem um programa, pelo que queremos que seja criada uma forma democrática para revogação de mandato em caso de incumprimento do mesmo programa;

http://15out-porto.blogspot.com/

Fica uma pessoa anos (quase 3 anos) a pensar se publica ou não publica, se fica transida de medo que outra qualquer pessoa (que não exclusivamente a Miso e respectivos Azguimes) enfie uma carapuça que não lhe é dirigida, que passe a ser conhecida como “contestatária” e nunca mais na vida arranje trabalho, etc. São anos de reflexão! E medo.

O medo costuma dominar e na maioria dos casos quando há uma denúncia (que já de si é coisa rara) protegem-se os criminosos com o anonimato. Mas que universo é este? A vítima tem que se identificar para ser credível e o infractor tem todos os direitos?!
Como em todos os crimes, quanto maior a gravidade, maior é o silêncio que se cria à volta e mais se protege o agressor de tão graves acusações. A vítima… aguente-se! O ambiente de monopólio (deste caso) torna exponencial esse silêncio. Serve, aliás, como ameaça implícita permanente.

Há um universo gigante de diferença entre pequenas coisas do dia a dia, questões práticas, às vezes até pequenas infracções legais e um crime continuado, insistente que é o Assédio Moral. Formalmente há mesmo uma diferença legal muito grande entre infracção e crime.

Em todas as relações há diferendos, toda a gente tem dias bons e dias maus, toda a gente se enerva e se exalta e diz coisas sem pensar. Onde há mais do que uma pessoa, há discussões, é inerente ao Ser Humano. Em casa, na rua, no trabalho. Assim como no senso comum toda a gente percebe a diferença (o gigantesco universo de diferença) entre uma simples discussão familiar (coisa do quotidiano e absolutamente normal) e um crime de Violência Doméstica, no trabalho essa diferença é a mesma.
A diferença fica ainda mais clara quando se conhecem outros ambientes laborais e se estabelece uma comparação. Então percebe-se que discussões há em todo o sítio e é normal. Uma pessoa que se dá ao trabalho de debater connosco, mesmo que a coisa aqueça e se torne numa discussão, é porque nos respeita e quer a nossa opinião. Mesmo que, obviamente, uma decisão final sobre qualquer assunto seja da responsabilidade do superior hierárquico.
Tratamento humilhante não há em todo o sítio, não é normal e é desumano! Não há qualquer respeito envolvido.

Uma discussão é ultrapassada e resolvida por pessoas civilizadas, qualquer que seja a relação hierárquica.
Outra coisa, completamente diferente, é um assunto de polícia: absoluta ausência de respeito, abuso de poder e da relação hierárquica para infringir a lei laboral (encurtar férias, por exemplo), humilhação, tratamento indigno, violência psicológica continuada, ofensas, acusações infundadas apenas para amedrontar, controlo desproporcionado e clima de desconfiança permanente, imposição de condições que podem ser lesivas para a saúde apenas por prepotência e gozo na maldade, mudança arbitrária, sem motivo e sem pré-aviso das regras de funcionamento ou dos horários: isso é crime.

Para mim chega de medo! Este post estava a ser escrito na minha cabeça desde 24 de Dezembro de 2008. É uma boa data para despedir uma pessoa, não é? Elogio: coerência não falta aos auto-denominados “patrões proletários”! Ah, espera… lá se vai o meu elogio!…

Notas:
1) Uma vez que nada disto foi objecto de processo judicial — porque eu levei 3 anos a pensar e os tribunais não esperam, tudo o que aqui está pode ser formalmente considerado difamação. É possível, portanto, que ainda por cima seja eu a ver-me como acusada. Seria bonito, já que para que seja provada uma difamação, teria que ser apurado que tudo o que aqui está antes é mentira. Ora, as provas de que é verdade estão guardadas e seguras. Além disso, já disse: chega de medo. Não devo nada a ninguém.

2) O que me levou a finalmente publicar é o facto de ver cada vez mais pessoas em situações com parecenças. A crise é também uma oportunidade para a prepotência e o abuso, porque o medo de ficar desempregado é maior que o medo de falar. O Assédio Moral deixa marcas para a vida, como qualquer abuso e humilhação. Por isso, para todas as pessoas que estão hoje nessa situação: há vida para além do Assédio Moral; ele deixa marcas, mas o tempo também. E um emprego não tem que ser isso. Nenhum dinheiro paga a sanidade mental e a dignidade Humana!

Este governo passou todo o mês de Agosto a legislar. Cidadãos de férias, jornalistas de férias, programas de análise política interrompidos… há lá melhor época para legislar contra a Constituição do que quando as pessoas pensam que aquilo é obra dos comediantes da silly season? Mas a dura realidade é que já não estamos a ver o que vão fazer. Estamos a ver o que fizeram!

Além do que já está visto e feito, podemos supor o que vão fazer para a frente, com base no que conhecemos. Não vamos ser ingénuos, como se não conhecessemos este governo! Sobreiros, Moderna, submarinos? Sempre que o PSD vai para o governo a polícia desata a matar gente e a malhar forte e feio em qualquer manifestação! Aliás, já foi dito e anunciado que iria ser assim, primeiro pelo Coelho e depois pelo Portas. Truques para fazer desaparecer défices… lembram-se da Ferreira Leite? Mesmo que não se lembrem, estamos a pagar o negócio do Citybank! Mais o BPN, que cada dia tem mais e maiores buracos e novidades. Não podemos supor com base no que não conhecemos, mas esta gente já cá anda há tempo suficiente e a maior parte dos cidadãos também.

Sabemos até mais. Sabemos que anunciaram em grande pompa que iam ser menos ministros para poupar. Esqueceram-se de anunciar em grande pompa que são muito mais secretarias de estado e assessores e que na realidade este governo é muito mais caro que os anteriores!

Sobre a saúde:

Escolheram cortar nos transplantes, na vacina do HPV, etc. Esqueçamos a questão humana, que isto não é um país, é um aviário para a engorda. Um doente transplantado vai para casa um mês e depois volta a ser franguinho produtivo. Um não-transplantado agoniza durante uma data de tempo no bem-bom do hospital à custa do contribuinte e depois ainda por cima morre e não volta a ser produtivo e a pagar impostos! Uns mal-agradecidos, é o que é!!!
Uma mulher saudável trabalha, produz filhos, produz assistência familiar, etc. Uma mulher que morre aos 40 com cancro (que é a idade média no caso do cancro do colo do útero provocado pelo HPV) custa internamento, custa quimioterapia, custa todos os anos que não trabalhou por não viver e pagar impostos até aos 70, custa uma cirurgia. Tudo isto pode evitar-se com 3 injecções que custam no total 500 euros. Já sabemos que em aviários não há dor, sofrimento nem dramas familiares ou questões humanas a considerar.

A medida afinal foi reconsiderada e está em nova avaliação. O governo atirou a moeda ao ar e quando viu que lhe ia cair em cima lançou o aviso sobre tumultos e disse que afinal era só uma proposta em avaliação (a parte das vacinas, não a dos transplantes).

Os medicamentos biológicos são basicamente a diferença entre um franguinho que continua a produzir em pleno como se não tivesse doença nenhuma e um franguinho indigente, em casa, ainda por cima a tomar anti-inflamatórios à custa do pobre contribuinte trabalhador. A viver à grande, portanto. Humanamente é a diferença entre uma pessoa que vive a sua vida normal e uma pessoa consumida pela dor, incapaz de trabalhar, de se mexer, de fazer muitas das coisas quotidianas. O medicamento é caro…? Quem assistiu à diferença real, vista, observada, na vida verdadeira, vivida, de uma pessoa que passa do anti-inflamatório (que na verdade não faz grande coisa) para o novo medicamento, sabe que o medicamento não é caro. Nada caro. É uma escolha desumana e cara — porque um franguinho que trabalha e paga impostos é melhor que o franguinho indigente à custa do contribuinte.

Cultura:

Sobre a Cultura, volta o mesmo processo. Saem umas bocas muito gerais e imprecisas sobre a OpArt e a Cinemateca, o suficiente para medir a reacção, mas ainda com espaço para dizer que é só uma proposta e tal. Parece-me, no entanto, que já sabemos o suficiente desta gente para perceber que para eles nada disso é para respeitar. Não me parece descabido que mandem simplesmente extinguir ou privatizar, para ser comprada por uma Lusomundo ou TVI, no caso da Cinemateca.

Os Nacionais S. Carlos, S. João e D. Maria II, a mesma coisa. Já vi em França a Comédie Française privatizada. Os actores fazem 3 peças por dia, às vezes em papéis diferentes, mais ensaios para a estreia seguinte. Passaram a ser escolhidos por fotografia, não pela qualidade. É um regalo para os olhos ver aquele palco e há meninos e meninas para todos os gostos (o bonitinho, o machão, o charmoso; a loura, a morena e a ruiva)! São todos uns giraços e umas giraças, mas nada daquilo tem a ver com Molière, Corneille ou Beaumarchais! Quero com isto dizer que a privatização não é nada impensável…

Impensável?

Impensável era obrigar os agricultores a deitar as culturas fora, limitar a produção de leite dos Açores ou pôr quotas nas pescas e isso já foi há 20 anos! Impensável era democratizar o ensino superior e vermo-nos sem médicos a seguir — e o numerus clausus já lá vai e nós estamos mesmo sem médicos!
Impensável era toda esta novela do BPN, as voltas que deu sem sair do bairro da Coelha, mais a eleição e reeleição do permissivo e mui ciente do processo Cavaco Silva para a presidência. Impensável era estar toda esta gente a viver da escravatura em Angola em 2011. Eppur…

Impostos:

Quanto ao mito da boa gestão, podiam ter escolhido aumentar o IRS nos escalões mais altos e acrescentar um escalão de IRC para maiores lucros, em vez disso aumentaram o IVA para níveis impensáveis em qualquer outro país. Como o consumo diminui a subida do IVA não vai dar para nada. Até em termos de tesouraria estas decisões são um fiasco!

Podiam escolher criar postos de trabalho no combate à fraude e à evasão fiscal (para trazer receitas) — 2 em um!!! — mas escolheram não o fazer.

E concluímos, as trevas:

Repete-se à exaustão que as empresas lucrativas investem e criam emprego. Mas então onde está o investimento e consequente criação de emprego dos lucros crescentes dos últimos anos nos bancos, na TAP, Jerónimo Martins, SONAE, etc.? É a crença num mito. Estarão os nossos netos e bisnetos a chamar a esta época a segunda idade das trevas e do obscurantismo, em que as pessoas vivem na crença cega de um deus mercado que um dia há-de funcionar. Não há qualquer racionalidade ou explicação aparente para que se viva assim e no entanto a obediência inquestionável prossegue quase sem tropeções.

Em seguida voltamos à fita do inevitável e das dívidas que são para pagar. É mesmo conversa da treta para fazer chantagem e manter a tal obediência cega e obscurantista, não passa disso. Quem lê mais relatórios da ONU, mais Krugman e outros prémios Nobel da economia e menos comentadores partidários (o Pacheco Pereira, o Sousa Tavares, o Rebelo de Sousa…) tem plena consciência disso. Acontece que os relatórios da ONU e os prémios Nobel não dão na tv mesmo antes da novela.

A ONU e os Nobel, embora com pequenas diferenças, concordam nas mais básicas evidências: a dívida externa não é pior do que a que existe em muitos outros países, sobretudo a dívida pública; não sabemos que parcelas compõem o total da dívida pública, porque não houve nunca uma auditoria efectivamente esclarecedora; não sabemos sob que condições foi contraída a dívida, ou cada uma das suas partes e em nome de quê, nem onde está de facto esse dinheiro; o problema é que os bancos alemães têm dinheiro investido nas nossas dívidas (portuguesa, grega, irlandesa) e querem lucros gigantescos (esses sim, insustentáveis a valer) para ontem; salários e segurança no trabalho promovem o consumo e garantem a economia a longo prazo de forma sustentável.
Não a economia do milionário, mas a economia do Sr. Zé da mercearia, mais o Sr. António do café do bairro, que por sua vez vai à frutaria da D. Etelvina e leva os filhos no verão à praia e a jantar ao restaurante… Se cada um de nós puder tomar um café por dia no bairro, se cada um de nós puder comprar um CD ou um livro uma vez por mês, esses negócios mantêm-se. Um milionário, por mais que tenha, não janta 30 vezes por dia nem muda de roupa uma vez por hora — vai deixar o dinheiro num offshore, não consegue consumir tudo! Mas o mesmo dinheiro dado a 30 famílias diferentes dá 120 jantares naquele dia e eventualmente uma muda de roupa nova por estação por pessoa e umas idas ao teatro, a concertos e ao cinema!
E por falar em offshore: pode taxar-se o dinheiro à saída quando vai ser transferido para um offshore. Também é uma escolha não o fazer.

Mais, diz-se (é outra das inevitabilidades) que os administradores públicos têm que ser pagos assim, senão vão-se embora. Segredo: se fossem realmente melhor pagos lá fora e se alguém os quisesse, já tinham ido. Os nossos administradores ganham mais do que na maior parte dos países europeus. Não haverá por aí alguém competente e que se contente com um bom salário (e por bom salário estou a considerar algo que dê para grande vivenda, piscina e bom Mercedes novo de 6 em 6 meses — não é nenhuma miséria)?

Diz-se que se aumentarmos os custos (laborais e fiscais) para as empresas elas vão-se embora. Ó senhores… O Soares dos Santos (Jerónimo Martins, Pingo Doce) vai-se embora assim… e deixa um mercado de 10 milhões de habitantes a quem quiser ocupá-lo?! Mas já alguém parou para pensar (ou rir às gargalhadas de tal invenção)?

O Belmiro (ou mais recentemente o filho) deixa os netos e a família toda se o salário mínimo subir para os 500 euros? Essa gente também tem raízes e família, não vão embora por causa de uns trocos. E 500 euros seria ainda assim muito baixo comparativamente ao resto da Europa! Para compensar teria que emigrar para fora da Europa, o que não é muito plausível…

E se o Continente for à falência por causa dos 500 euros ou por causa de um IRC mais alto ou ainda se de repente a lei laboral tivesse que ser absolutamente cumprida? Um negócio de supermercado, que vende comida e bens básicos, só vai à falência por má gestão ou fraude. Se for realmente à falência, sendo um negócio seguro e lucrativo, será prontamente substituído por outro que saiba gerir com decência. O Belmiro lá ficava sem a fortuna, mas é tudo. Em termos nacionais (do ponto de vista dos clientes, dos trabalhadores e do fisco) ficaríamos bem melhor!

(publicado também no Portugal Uncut)

PROTESTO APARTIDÁRIO, LAICO E PACÍFICO

− Pela Democracia participativa.
− Pela transparência nas decisões políticas.
− Pelo fim da precariedade de vida.

Somos “gerações à rasca”, pessoas que trabalham, precárias, desempregadas ou em vias de despedimento, estudantes, migrantes e reformadas, insatisfeitas com as nossas condições de vida.
Hoje vimos para a rua, na Europa e no Mundo, de forma não violenta, expressar a nossa indignação e protesto face ao actual modelo de governação política, económica e social. Um modelo que não nos serve, que nos oprime e não nos representa.

A actual governação assenta numa falsa democracia em que as decisões estão restritas às salas fechadas dos parlamentos, gabinetes ministeriais e instâncias internacionais. Um sistema sem qualquer tipo de controlo cidadão, refém de um modelo económico-financeiro, sem preocupações sociais ou ambientais e que fomenta as desigualdades, a pobreza e a perda de direitos à escala global. Democracia não é isto!

Queremos uma Democracia participativa, onde as pessoas possam intervir activa e efectivamente nas decisões. Uma Democracia em que o exercício dos cargos públicos seja baseado na integridade e defesa do interesse e bem-estar comuns.

Queremos uma Democracia onde os mais ricos não sejam protegidos por regimes de excepção.
Queremos um sistema fiscal progressivo e transparente, onde a riqueza seja justamente distribuída e a segurança social não seja descapitalizada; onde todas as pessoas contribuam de forma justa e imparcial e os direitos e deveres dos cidadãos estejam assegurados.

Queremos uma Democracia onde quem comete abuso de poder e crimes económicos e financeiros seja efectivamente responsabilizado por um sistema judicial independente, menos burocrático e sem dualidade de critérios. Uma Democracia onde políticas estruturantes não sejam adoptadas sem esclarecimento e participação activa das pessoas. Não tomamos a crise como inevitável. Exigimos saber de que forma chegámos a esta recessão, a quem devemos o quê e sob que condições.

As pessoas não são descartáveis, nem podem estar dependentes da especulação de mercados bolsistas e de interesses financeiros que as reduzem à condição de mercadorias. O princípio constitucional conquistado a 25 de Abril de 1974 e consagrado em todo o mundo democrático de
que a economia se deve subordinar aos interesses gerais da sociedade é totalmente pervertido pela imposição de medidas, como as do programa da troika, que conduzem à perda de direitos laborais, ao desmantelamento da saúde, do ensino público e da cultura com argumentos economicistas.

Os recursos naturais como a água, bem como os sectores estratégicos, são bens públicos não privatizáveis. Uma Democracia abandona o seu futuro quando o trabalho, educação, saúde, habitação, cultura e bem-estar são tidos apenas como regalias de alguns ou privatizados sem que daí advenha qualquer benefício para as pessoas.

A qualidade de uma Democracia mede-se pela forma como trata as pessoas que a integram.
Isto não tem que ser assim! Em Portugal e no mundo, dia 15 de Outubro dizemos basta!

A Democracia sai à rua. E nós saímos com ela.

Organizações subscritoras
Acampada Lisboa – Democracia Verdadeira Já 19M
Alvorada Ribatejo
Attac Portugal
Indignados Lisboa
M12M – Movimento 12 de Março
Movimento de Professores e Educadores 3R’s
Portugal Uncut
Precários Inflexíveis

Ligações: Facebook

Imagem de Gui Castro Felga

Este texto acaba de ser lançado, subscrito por várias organizações, em solidariedade com as vítimas dos atentados na Noruega. É uma nota de condolências e uma declaração política ao mesmo tempo. Será dada a conhecer a vários movimentos sociais noruegueses nos próximos dias e está aberta à subscrição individual AQUI.

Segue o texto:

Acompanhámos, num misto de choque, fúria e profunda tristeza, o horror que aconteceu em Oslo e Utoya no dia 22 de Julho. Antes de mais, pensamos, obviamente, nas vítimas, famílias, amigos e camaradas. Aceitem as nossas mais sentidas condolências e solidariedade.
Enquanto activistas de diferentes movimentos sociais e políticos portugueses, estendemos as nossas condolências à Liga dos Jovens Trabalhistas e também ao povo norueguês. E ainda a todos aqueles que, como nós, na Europa e no resto do mundo, compreendem a ameaça representada por ideologias racistas, xenófobas e fascistas, sobretudo quando encontram eco nos discursos e crenças políticas que nos entram pelas casas dentro todos os dias.
Quando se vota no ódio e na exclusão, quando líderes políticos põem em causa os valores do multiculturalismo, quando as minorias são transformadas em bodes expiatórios para os erros de sistemas políticos que promovem a exclusão e a discriminação, o ódio passa a ser aceite na política. E as armas precisarão sempre do ódio como munição.
Podia ter sido qualquer um de nós. Por isso, a maior homenagem que podemos prestar a todos os que morreram, ficaram feridos ou perderam entes queridos é o nosso compromisso com a luta pelo respeito, diversidade, justiça e paz e por uma sociedade verdadeiramente democrática e inclusiva. Responderemos com mais democracia.
We followed, in shock, anger and deep sadness the horrendous events in Oslo and Utoya on the 22nd of July. Our first thoughts are towards the victims, their family, friends and comrades. Please accept out heartfelt condolences and solidarity.
As activists from different social and political movements in Portugal, we extend our condolences to the AUF, but also to the people of Norway. And towards all of us in Europe and the rest of the world who understand and aknowledge the threat posed by racist, xenophobic, fascist ideologies, too frequently endorsed by mainstream political discourses and beliefs everywhere.
When people vote for hate and exclusion, when political leaders question multicultural values, when minorities are chosen as scapegoats for the failures of political systems aimed at exclusion and discrimination, hate has been accepted into mainstream politics. And guns will always need hate as ammunition.
It could have been any of us, political activists whose biggest tribute to those who perished, sustained injuries or have lost loved ones is our pledge to keep on struggling for respect, diversity, justice, peace and a truly democratic and inclusive society. We will answer with more democracy.
Organizações subscritoras:

Artigo 21.º
Associação 25 de Abril
Associação Abril
Associação República e Laicidade
ATTAC Portugal
Bloco de Esquerda
Convergência e Alternativa
Crioulidades – Arte e Cultura na Diáspora
FERVE
M12M
Movimento Escola Pública
Não Apaguem a Memória
Opus Gay
Panteras Rosa
PES Portugal
Portugal Uncut
Precários Inflexíveis

Rainbow Rose Portugal
Renovação Comunista
SPGL
UMAR
Vidas Alternativas

Auditoria

Que se lixe a troika

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