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Se todos os blogs re-postarem o artigo dos PI, a AXES não vai poder lançar providências cautelares contra toda a blogosfera portuguesa! Por outro lado, se de facto o artigo tiver que ser apagado, fica aqui:

No dia seginte, fui então para o “terreno” com aquele que viria a ser o meu “leader” e mais dois colegas. O primeiro começou por fazer-me perguntas básicas: a minha experiência profissional, os meus objectivos, etc. Quando lhe disse que já tinha tido alguns empregos de Verão em lojas e que gostava do contacto com o público, ele respondeu: “Pois, mas vendedor qualquer idiota pode ser. Nós estamos a recrutar líderes, e a fase das vendas directas não é determinante, é apenas parte do processo.”. Eu não me recordava de me ter candidatado a chefe de equipa uma vez que, como já referi, sou estudante e estava apenas à procura de um part-time – mas enfim, se encontrasse algo melhor que um call center não me faria rogada. Posteriormente, fui bombardeada por uma série de questões e informações acerca da área das vendas directas (porta-a-porta), enquanto, literalmente, corria atrás do tal líder. Tive ainda que responder a um questionário sobre os meus pontos fortes e fracos (10 de cada), bem como mencionar 15 características de um bom líder. Para além disso, foi-me pedido que respondesse a 3 adivinhas e que dissesse como imaginava a minha vida em 1, 5 e 10 anos. Tudo isto enquanto subia e descia escadas.
Dada a dificuldade de encontrar na internet qualquer informação relevante acerca da empresa (que tem, pelo menos, três nomes) optei por pesquisar o nome do director e as minhas suspeitas confirmaram-se: a empresa não passa de um esquema para encher os bolsos de quem está no topo, não tanto através das vendas, mas sobretudo do recrutamento de “distribuidores” (nas três semanas em que lá trabalhei, entraram pelo menos vinte novas pessoas), que serão, também eles iludidos pela promessa de crescimento profissional e sugados por charlatães que tentam a todo o custo afastar-nos da realidade e que nos querem fazer crer que somos uns preguiçosos se o dia de trabalho não nos corre bem – mesmo depois de termos passado o dia inteiro à chuva, a bater a portas e a ouvir reclamações.

Começa aqui uma nova série de posts sobre as palavras que deixámos de usar, porque passou a “parecer mal”. Na maior parte dos casos trata-se de fenómenos que existiam e que gostamos de acreditar no mito de que desapareceram. Nem queremos pensar de que toda a nossa vida assenta precisamente nesta negação. O primeiro passo para resolver o problema é perceber que existe e onde está.

No caso de hoje, até desapareceu de facto, durante algum tempo. Mas verificamos todos, se estivermos com atenção, que voltou.

Como se vê nas imagens os meios de comunicação romperam a primeira parte da censura: desta vez até chegaram a comparecer na conferência de imprensa, filmaram, gravaram o som. Só isso já foi uma vitória, porque não é habitual!

Falta a segunda parte: depois de gravadas esta manhã houve tempo mais que suficiente para preparar a reportagem, editar o som e a imagem e divulgar. Mas viu estas imagens nalguma tv perto de si? Não? Isso é censura.

A censura pode vir dos editores, pressionados pelos administradores. A questão é sempre o dinheiro: a ameaça de perder anunciantes e/ou a ameaça de custosos processos judiciais (por causa de notícias que desagradem a alguém, por mais verdadeiras que sejam e que se possam provar). Os accionistas ou o Estado não admitem perder rendimento e os administradores trabalham apenas para eles, ninguém mais — em todas as empresas, em qualquer actividade, o cliente não interessa, é apenas um meio de agradar aos accionistas.
No fundo desta escala estão os jornalistas, precários na sua maioria, obrigados a escolher entre a fome ou o código deontológico, numa luta de titãs com editores altamente mediáticos. Também os há rendidos ao sistema ansiosos apenas por agradar para subir, não importa a qualidade da informação, a honestidade, o profissionalismo nem sequer o código deontológico.
O leitor do jornal ou o telespectador? Não interessa, não conta.

Por isso, desligue a televisão e procure a sua própria informação, porque os acontecimentos reais no mundo só dão na televisão quando:

1. São demasiado longínquos para produzirem algum efeito de identificação (ui… esta é tão antiga, que já vem do Beaumarchais);

2. São facilmente manipuláveis para contar uma história conveniente, parecendo ainda assim que se está a dar a notícia;

3. São suficientemente pequenos para caberem no espaço “vejam só como somos abertos e democráticos”.

Só mais um exemplo recente:

Auditoria

Que se lixe a troika