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Claro como água, os acontecimentos de dia 22 de Março, sem cortes. O Expresso pode ser muito bom cãozinho na obediência ao dono, mas a credibilidade (que já não era famosa, digamos) ficou aniquilada. De Miguel Macedo nem vale a pena falar. A legitimidade que as eleições lhe conferiram já tinha passado à história com a greve de 24 de Novembro, as declarações de um agente policial ao i, o relatório do SIS em jeito de ameaça e promessa de violência (notícia completa apenas na edição em papel), etc. Não tenhamos ilusões, sei bem que o ministro não se demite com facilidade, é até possível que fique enquanto o governo se mantiver. Pode ficar? Pode. Só não tem legitimidade.

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Se todos os blogs re-postarem o artigo dos PI, a AXES não vai poder lançar providências cautelares contra toda a blogosfera portuguesa! Por outro lado, se de facto o artigo tiver que ser apagado, fica aqui:

No dia seginte, fui então para o “terreno” com aquele que viria a ser o meu “leader” e mais dois colegas. O primeiro começou por fazer-me perguntas básicas: a minha experiência profissional, os meus objectivos, etc. Quando lhe disse que já tinha tido alguns empregos de Verão em lojas e que gostava do contacto com o público, ele respondeu: “Pois, mas vendedor qualquer idiota pode ser. Nós estamos a recrutar líderes, e a fase das vendas directas não é determinante, é apenas parte do processo.”. Eu não me recordava de me ter candidatado a chefe de equipa uma vez que, como já referi, sou estudante e estava apenas à procura de um part-time – mas enfim, se encontrasse algo melhor que um call center não me faria rogada. Posteriormente, fui bombardeada por uma série de questões e informações acerca da área das vendas directas (porta-a-porta), enquanto, literalmente, corria atrás do tal líder. Tive ainda que responder a um questionário sobre os meus pontos fortes e fracos (10 de cada), bem como mencionar 15 características de um bom líder. Para além disso, foi-me pedido que respondesse a 3 adivinhas e que dissesse como imaginava a minha vida em 1, 5 e 10 anos. Tudo isto enquanto subia e descia escadas.
Dada a dificuldade de encontrar na internet qualquer informação relevante acerca da empresa (que tem, pelo menos, três nomes) optei por pesquisar o nome do director e as minhas suspeitas confirmaram-se: a empresa não passa de um esquema para encher os bolsos de quem está no topo, não tanto através das vendas, mas sobretudo do recrutamento de “distribuidores” (nas três semanas em que lá trabalhei, entraram pelo menos vinte novas pessoas), que serão, também eles iludidos pela promessa de crescimento profissional e sugados por charlatães que tentam a todo o custo afastar-nos da realidade e que nos querem fazer crer que somos uns preguiçosos se o dia de trabalho não nos corre bem – mesmo depois de termos passado o dia inteiro à chuva, a bater a portas e a ouvir reclamações.

Os recibos verdes verdadeiros, ou seja, os trabalhadores que estipulam os seus horários, trabalham com os seus equipamentos e em instalações próprias não são todos iguais. Ainda que na forma assim pareça, na substância as diferenças podem ser gigantescas.

Muitos trabalhadores independentes estabelecem as suas próprias condições e apenas aceitam as encomendas e clientes que decidem.

Muitos outros, apesar de cumprirem as duas premissas que definem os verdadeiros recibos verdes (obrigação apenas do cumprimento de prazos e de níveis de qualidade acordados) dependem dos seus clientes. Não têm peso para negociar honorários, prazos e outras condições — incluindo, por exemplo, a imputação do IVA aos clientes (prática corrente e amplamente conhecida da ACT e da DGCI, mas raramente combatida). São obrigados a aceitar o que lhes é oferecido sob pena de, recusando uma oferta, não voltarem a ser contactados e até de entrar numa espécie de lista negra do sector em que trabalham. Não têm qualquer poder negocial e assim, os prazos de entrega podem ser mudados a qualquer momento, os honorários e quaisquer outras condições também.

Na mesma profissão podem co-existir ambas as situações e a pertença a um ou outro estatuto depende de factores diversos. O mais óbvio é o prestígio, que pode advir do reconhecimento já alcançado, de uma carreira  construída, há muitos outros.

Depende de quão grande é cada sector. Quanto mais oportunidades houver, tanto mais facilmente o trabalhador procura alternativas e estabelece as condições mínimas que pretende, recusando as ofertas mais desfavoráveis.

Depende ainda das condições financeiras e familiares do próprio trabalhador. Quem tenha uma estabilidade financeira que lhe permita negociar, sob o risco de perder uma encomenda, ou até de recusar qualquer encomenda que não cumpra o patamar mínimo de condições por si estabelecido, não está tão sujeito à arbitrariedade dos clientes.

Mas será que podemos realmente falar aqui de “clientes”? Ainda que não haja dúvidas de se tratar de um trabalhador independente, está ele realmente por sua própria conta? Ele não decide o valor do seu trabalho, nem as condições em que é elaborado. Está sujeito a cumprir todos os critérios de qualidade num prazo imposto sem negociação. Pode mesmo ser chamado a elaborar um trabalho que ele próprio considera de má qualidade, mas cujos critérios lhe são exigidos pelo “cliente”.

Não havendo qualquer estrutura hierárquica, há condições de sujeição de facto, ainda que perante empregadores diversos.

 

Comunicado do Pingo Doce

Pequeno resumo:

O Pingo Doce vem comunicar que hoje, excepcionalmente, cumprirá a lei no que toca à remuneração dos trabalhadores em feriados. Também com carácter excepcional, comunica que cumprirá a lei no que toca ao direito à greve e os trabalhadores que  exerçam o seu direito, excepcionalmente, não sofrerão represálias. Só desta vez…

Vem ainda explicar que afinal, num país em crise, há na Jerónimo Martins fundos para pagar 200% em vez de fechar portas e não, ainda não cai dinheiro do céu.

Não nos comprometemos a começar a pagar os impostos que nos são devidos, sem desvios para offshores nem outros meios contabilísticos de desvio de impostos, mas falamos muitas vezes da crise porque fica bem e é populista.

Admitimos, finalmente, que muitos milhares de trabalhadores do Pingo Doce passam grandes dificuldades financeiras e precisam do reforço extra do seu orçamento familiar.

Viva o “espírito de sacrifício” e o “direito” compulsivo ao trabalho e o direito à greve… bem, não podemos dizer que não o reconhecemos, por isso pomos aí uma penada qualquer…

PINGO DOCE, SABE BEM PAGAR TÃO POUCO!

Agora um momento de texto mesmo meu:

Com a parte do título, de que Portugal precisa de sentido de responsabilidade, eu até concordo e termino com uma pequena citação de outro comediante, o Nilton, acrescentando: Primeiro “paga o que deves” e depois logo conversamos.

PINGO DOCE, SABE BEM PAGAR TÃO POUCO!

Pingo Doce aberto a 1 de Maio de 2011 na Av. Almirante Reis — Foto de Rita Correia

Uma boa parte das grandes superfícies vai estar fechada hoje, dia 1 de Maio, apesar da permissão da lei para abrir as portas, num pequeno gesto de demonstração de respeito pelo Dia do Trabalhador.

De entre as que não fecham portas encontra-se o Pingo Doce (Jerónimo Martins), o Continente (SONAE), o Ecomarché, o Intermarché e a Worten. Foi emitido pelo CESP um pré-aviso de greve para o sector, ao qual responderam Alexandre Soares dos Santos pela Jerónimo Martins e Paulo Azevedo pela SONAE. A Jerónimo Martins declara desta forma que tem dinheiro para pagar aos trabalhadores, mas escolhe fazê-lo só quando eles exercem os seus mais elementares direitos. A um pré-aviso de greve responde com uma remuneração de 200%. O dinheiro apareceu em dois minutos ou esteve sempre lá? Sabendo que o dinheiro não cai do céu com a chuva, podemos presumir que já existia, mas é ESCOLHA da Jerónimo Martins continuar com a sua política de salários miseráveis. SABE BEM PAGAR TÃO POUCO, explica o Pingo Doce. Imaginamos que sim… ou talvez lhes fique um travo amargo no fim!

Sem enganos: as condições laborais, a precariedade, os atropelos aos direitos, os salários de miséria são semelhantes em quase todos os grupos económicos do sector. Não há grandes diferenças.

Mas NÓS, simultaneamente cidadãos, consumidores, trabalhadores e clientes, podemos fazer a diferença. Podemos indicar aos grupos que respeitam o Dia do Trabalhador que, embora este não seja mais que um gesto simbólico e todo o caminho para o pleno respeito pelos seus trabalhadores esteja por fazer, apreciamos e sabemos retribuir.

Aos grupos que não respeitam o Dia do Trabalhador, afirmando ainda por cima, que até podem pagar melhor, mas ESCOLHEM não o fazer, dizemos: ESCOLHA ERRADA.

NÓS, CIDADÃOS-CONSUMIDORES PODEMOS FAZER UM BOICOTE PROLONGADO A ESTAS CADEIAS DE SUPERMERCADOS. Não é complicado: há alternativas um pouco por toda a parte, sobretudo nas cidades. Basta escolher uma das alternativas.

Este é um protesto que atinge onde mais lhes dói: nos lucros. Para as restantes cadeias de supermercados, que neste caso podem pensar até que irão ter um aumento nas vendas, é uma chamada de atenção: este é o nosso poder. Escolhemos onde comprar. Por isso, o caminho dos direitos é mesmo para fazer, sob pena de o boicote virar as agulhas no espaço de um só dia.

P.S. — Mais informações e acompanhamento do 1º de Maio no Continente e Pingo Doce junto dos Precários Inflexíveis.

Auditoria

Que se lixe a troika