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O Zeca, o Adriano, o Fausto e o Sérgio. E não digo mais nada, oiçam… eu não consigo parar!

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A inutilidade dos Exames no conservatório, trabalho em que estou empenhado neste momento, irrita-me. Um simples vilancico que se transcrevesse para notação moderna, na Biblioteca de Évora, era mais útil ao Estado e à Nação, do que um ano inteiro do estúpido trabalho oficial que sou obrigado a fazer.

Luís de Freitas Branco, Diário, 20/07/1935

Retirado do livro Luís de Freitas Branco de Nuno Bettencourt Mendes, Ana Telles e Alexandre Delgado.

A actualidade está nos desabafos que oiço dos meus colegas professores porque não conseguem ser músicos a tempo inteiro e na falta de meios para a investigação musicológica. Mas sobretudo, no desdenho com que estas actividades são ainda hoje vistas e tratadas pelo Estado.

Esta notícia trouxe-me imediatamente à ideia uma enorme série de questões aqui ligadas.

Primeiro, dizia a Sra. Ministra que enquanto pianista nunca tinha recorrido a apoios. Claro que não, raramente um instrumentista se candidata sozinho a um apoio da DGArtes. O instrumentista é contratado para actuar nas actividades promovidas por uma entidade cultural, essa sim financiada pela DGArtes. Os seus honorários têm origem nos apoios, só que passam por uma entidade cultural (grupo, associação, etc.). Ou seja, este ano a Sra. Ministra, se estivesse activa enquanto pianista e não como ministra, estaria numa de duas situações:

– ou o seu empregador, sem resposta da DGArtes, tinha decidido avançar à mesma com o concerto e a ministra estaria agora já com o concerto feito à espera de pagamento, se este viesse e quando viesse;

– ou, se o seu empregador decidisse deixar todas as actividades em stand-by até haver uma resposta, teríamos então a pianista com a agenda meio marcada, sem confirmações, sem saber se iria fazer concertos e receber cachets ou nada disso; (além do problema da mudança de datas e das sobreposições de concertos que daí advém);

Estaria portanto a Sra. pianista, tal como todos os outros artistas, a comer sola de sapato cozida até … … …

 

 

Mas a questão do financiamento não acaba aqui.

Os grupos instalados, conceituados, que fazem parte do património cultural do país, concorrem aos mesmos subsídios e no mesmo plano que os jovens talentos, os novos grupos, etc. Para o grupo mais antigo é terrível andar de quatro em quatro anos a saber se continua ou se fecha. Achamos nós que a Cornucópia ou a Comuna são património da cidade de Lisboa? Nós, público, achamos isso, sim. Mas em qualquer altura pode acabar o financiamento e lá se vai o grupo.

Para os jovens é obviamente uma competição desigual. Sendo jovens, os currículos que têm a apresentar não se comparam aos dos directores, encenadores e actores dos outros grupos. E no entanto, em cada nova candidatura, pode estar escondido o “João Mota” dos anos 2030. Podemos nunca vir a saber…

Mas a Arte faz-se sempre de renovação. Todas as gerações são essenciais para um panorama rico e em constante inovação. É preciso que todas tenham o seu lugar. Era preciso que o que já é património fosse considerado enquanto tal, deixando a totalidade dos apoios para quem se está a instalar.

 

 

Mas há mais…

Não há quaisquer vistorias, auditorias ou controlo na renovação dos apoios. Significa isso que tanto são apoiadas as entidades de contas limpas como todas as outras, todas em pé de igualdade. Ora, se o dinheiro é pouco, se o 1% para a Cultura continuará a ser uma miragem durante muito tempo – eu sei o que diz a Ministra, mas sejamos realistas -, não seria esta uma forma relativamente simples e muito justa de atribuir dinheiro a quem o merece e trabalha honestamente?

Auditoria

Que se lixe a troika

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