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Rameau, compositor e teórico do séc. XVIII, era temido pelo público. A fama enquanto filósofo e teórico impôs-se muito cedo, precedia-o e o público achava que alguém que falava tão eloquente e sabiamente sobre notas e intervalos só poderia fazer uma música entediante. Sem nada ter ouvido partiam do  pressuposto que, se ele estudava o assunto, só podia ser um chato.

Partiam do pressuposto que a Música devia ser “natural”, “vir do fundo da alma” ou coisa parecida. Alguém que pense sobre o assunto só pode fazer má Música. Já no século XVIII parecia esquecido o facto de que a Música foi a única Arte que fez parte do Quadrivium — com a Aritmética, a Geometria e a Astronomia — que configurava as Ciências nas primeiras Universidades.

Uma parte do problema actual é este mesmo: os compositores são quase todos simultaneamente pensadores, reflectem sobre o seu papel na Música Contemporânea e na Música em geral, sobre o papel da Música na vida das pessoas e sobre o posicionamento da Música face às restantes Artes e até à actualidade e realidade do Mundo. Hoje como no século XVIII, são tidos como maus músicos e a Música Contemporânea é toda metida no mesmo saco “feita por uns tipos que pensam muito”. E portanto, nem se ouve.

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Ao escrever o post abaixo lembrei-me de um outro aspecto de que gosto em Dublin. As estátuas de Dublin, semelhantes à do Joyce ali em baixo, estão colocadas na cidade como parte dela, como transeuntes.

Molly Malone lá vai pela rua com o seu carrinho de mão, tal como na canção, a apregoar ameijoas e mexilhão.

Joyce passeia com o seu ar talvez um pouco dandy. Wilde está deitado numa rocha à beira de um lago a fazer esgares a quem passa.

Os mais famosos cruzam-se com personagens imaginárias ou anónimas pelas ruas. As vítimas da fome não estão no alto, bem longe, para nos sentirmos confortáveis e alimentadinhos a olhar cá de baixo: passeiam no meio de nós, obrigam-nos a sentir a fome deles.

Em Lisboa, por exemplo, gosto do Pessoa a tomar café com quer quiser dar-lhe conversa, com a cadeira ao lado em jeito de convite.

Já do Camões ou do Chiado nem por isso. Estão lá em cima, quietos, formais. Não dá vontade nenhuma de ir falar ao Chiado, de saber quem foi, porque está ali. Uma personagem, mesmo que imaginária ou anónima, tem sempre algo que a distingue e que a faz merecer uma estátua. Deveríamos portanto saber quem foi, que importância teve/tem.

Todos os dias passamos nos Restauradores, alguma vez os olhámos nos olhos? O Marquês é uma Rotunda, uma Estação de Metro ou um leão com um tipo ao lado para se pendurar os cachecóis em alturas de futebóis. Tem um pedestal tão alto que ninguém diria que era humano. Mais um, como os outros (enfim… mais tirano que a maioria dos outros, mas ainda assim humano).

Há várias cidades com estátuas destas. Gosto dessas estátuas que nos obrigam a querer saber, que instigam a curiosidade até dos mais distraídos.

James JoyceO James Joyce Centre tem uma lista das comemorações lá e um pouco por todo o Mundo.

Não conheço comemorações por cá além da que o São Luiz vai apresentar (e que parece muito interessante). Desta vez não é má língua, pode ser só má informação minha…

Mas isto de um país parar para comemorar um dia de um escritor… é outra categoria!

Só hoje é que o site do Ministério da Administração Interna oficializou os TRÊS, sim 3, deputados do BE!!!

Finalmente é mesmo oficial e já ninguém tira o Rui Tavares do Parlamento!

Parabéns ao BE e aos meus co-votantes!

P.S. – Já agora, gostei muito da entrevista do Exmo. Sr. Deputado Europeu na Antena 1.

Descobri este post através do Arrastão.

Diz exactamente o que penso e muito bem dito!

Auditoria

Que se lixe a troika