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No próximo domingo, dia 17 às 17h o Coral Publia Hortensia vai fazer um pequeno Concerto de Reis na Igreja Lusitana, que ocupa o antigo convento dos Marianos em Santos. O concerto tem entrada gratuita.

Vamos fazer algum reportório de Natal e também mostrar os primeiros sons do que vai ser o nosso próximo espectáculo Clara.

O Convento dos Marianos é o nosso local de ensaio habitual e os concertos ali têm um ambiente familiar e calmo; como se fosse um ensaio aberto.

Este antigo convento é desconhecido para a maioria dos lisboetas. Situado em Santos, frente à igreja de Santos-o-Velho no início da Rua das Janelas Verdes, o seu muro branco passa despercebido para a grande parte dos passantes. No entanto, lá dentro esconde-se um convento com um claustro cheio de laranjeiras e uma igreja simples, mas bonita. É um oásis de silêncio mesmo no meio do burburinho da cidade.

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Então e as crianças que já aí andam? As que já cá estão?!

Por um lado, as crianças que estão neste momento em instituições públicas e que estariam muito melhor numa família. Que talvez pudessem encontrar um lar se pudessem ser adoptadas por um casal, qualquer que seja, desde que cuide e goste dela. Para essas crianças, uma lei feita agora talvez pudesse ainda vir a tempo. Adiando a lei, adiam-se as crianças. Se a lei da adopção passar daqui a 5 ou 10 anos, poderá ser muito boa para as crianças dessa altura, mas as crianças de hoje serão já adultos daqui a 10 anos.

Por outro lado, as crianças filhas de pessoas homossexuais e que vivem com a sua família. No caso de morte dos pais, estas crianças são arrancadas à família que conhecem, porque a família não é reconhecida como tal. Em caso de doença, os parceiros dos pais, que para a criança são parte da família, apenas podem visitá-la nos horários das visitas gerais e não têm qualquer direito enquanto família.

Se tomarmos como exemplo o que se passou com os filhos de pais divorciados, podemos passar por cima de muitos obstáculos e aprendendo, saltamos etapas. Durante muitas gerações os pais proibiam os filhos de se dar com os filhos de pais divorciados. Estas crianças eram descriminadas na escola e as que não souberam reagir da melhor forma ficaram com marcas profundas para toda a vida. Há vinte anos já não havia tanta descriminação, mas ainda havia alguns professores que achavam que aqueles meninos não conseguiam aprender e que teriam sempre que ser tratados como os “coitadinhos”.

Hoje já não é assim, mas não porque tenham desaparecido os divórcios! Foi a sociedade que deixou de marginalizar o divórcio, os divorciados e os seus filhos. No caminho ficaram milhares de crianças que cresceram estigmatizadas e traumatizadas durante gerações e gerações. Podia ter sido evitado. Claro que há outros  tantos milhares que felizmente tiveram professores inteligentes e que souberam lidar com o divórcio dos pais da melhor forma, ainda bem, mas não compensa de forma nenhuma as que não o conseguiram.

Não podemos agora aprender com a experiência anterior e saltar já algumas gerações? Dar hoje às crianças que o são agora aquilo que de qualquer modo é inevitável com o tempo?

É urgente ver as coisas pelo  outro lado, o da criança! Reconhecer o direito da criança a ser adoptada por quem goste e cuide bem dela, qualquer que seja a cor do cabelo, o tamanho de sapatos ou a orientação sexual! Reconhecer à criança o direito a ser sempre acompanhada e acarinhada pela família que esta reconhece, qualquer que seja a sua constituição!

A questão é que não estamos a falar de hipóteses. São reais, são crianças e andam por aí! Chamam-se Mário, Marta, Zé, António, Maria, Joana… têm 5 ou 10 ou 7 ou 3 anos. Andam na escola primária ou no infantário, na escola secundária…

Na realidade não vou dizer nada de novo. Claro que há por toda a parte quem escreva bem melhor que eu e esta questão é tão clara e óbvia que não é fácil encontrar novos pontos de vista.

O casamento entre homossexuais está prestes a ser discutido no casamento, mas, na proposta do PS, sem a adopção de crianças. O casamento e os direitos e deveres que lhe são inerentes é claramente um direito fundamental: o direito de visita em caso de internamento, a assistência na doença, a herança, etc. Há ainda um outro aspecto: em muitas famílias o facto de haver um papelinho assinado dá maior reconhecimento à relação. Não concordo, mas observo que ainda é assim em muitos meios, mesmo quando a relação em causa é heterossexual. Os pais ou os amigos podem não gostar de determinado namorado, mas se houver papel passado, independentemente da opinião que tenham sobre a relação, passam a respeitá-la. Por isso é que a atribuição deste reconhecimento aos casais homossexuais, especialmente frágeis em termos de reconhecimento social, é tão importante.

Por outro lado, soube agora, talvez por desinformação minha, que também há uma petição para que o casamento entre pssoas do mesmo sexo seja referendado. Eu acho extraordinário que alguém pense que tem direito a opinar sobre a vida privada de cada um!

Já agora, eu também quero referendar se as pessoas loiras podem comprar carro. Afinal, a compra é um contrato como qualquer outro e também tem raízes milenares (mais antigas até que as do próprio casamento) e a cor do cabelo é uma característica pessoal como qualquer outra. E eu acho que as pessoas loiras não devem poder comprar carro, pronto! Tenho direito à minha opinião e até acho que a lei devia consagrar a minha opinião! Façam leasing, aluguer, andem de transportes públicos, façam como bem entenderem… Também não digo que não possam deslocar-se, só não podem fazê-lo em carro próprio. No fundo, o direito fundamental dos loiros é o de se deslocarem e não o de poderem ter carro e não estou a contradizer ou a tirar-lhes o direito de se deslocarem, desde que nas condições que acho que a lei deveria contemplar.

Pode perguntar-se porque raio eu acho que os loiros não devem poder comprar carro. Percebo a pergunta, pouco esclarecida, claro… Penso assim, porque as ideias e os gostos são livres e eu gosto de ter ideias parvas sobre assuntos que não me dizem respeito!

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Que se lixe a troika