Os Precários Inflexíveis publicaram há um ano uma denúncia de fraude numa contratação. Numa época de desemprego galopante e pobreza generalizada, em que as pessoas, desesperadas, fazem tudo para poder pagar as contas, é apenas um acto de cidadania consciente ajudar na divulgação de quem se tenta aproveitar da situação. Como se pode ver pelos comentários, evitaram-se muitos dias de trabalho (ou procura de trabalho) perdidos. Também patente nos comentários é a quantidade de empresas fictícias que tentam ir vivendo de mão-de-obra gratuita, porque nunca contratada.

Uma das empresas denuciada nos comentários… não, não caiu para o lado de vergonha ao ser desmascarada. Interpôs uma providência cautelar para apagar os comentários! Pois não é óbvio?! Os seus responsáveis, em vez de fugirem com medo das acusações de fraude, apresentaram-se no tribunal. Melhor ainda: ganharam! O tribunal mandou apagar os comentários ao post. (Duplos critérios na Justiça? Onde raio foram buscar essa ideia?!)

Ora, este post tem neste momento 365 comentários, guardados neste pdf e aqui reproduzidos.

Os PI declararam que vão recorrer da sentença e que não apagam o post ou os comentários. Estou solidária com eles. Se a Ambição International Marketing quiser terá que interpor também aqui uma providência cautelar. Aqui e em todos os blogs e contas de FaceBook por onde o post original já circula, todas as reproduções em pdf do post com os comentários, etc., etc., etc.

Descarreguem o pdf, partilhem, divulguem, viralizem! Não podem censurar toda a blogosfera!

Adenda: A sentença, entretanto, já é pública. O juiz citou o ministro de Salazar, Antunes Varela, para justificar que o «bom nome» da empresa se sobreponha à liberdade de expressão. «Bom nome» esse, que não foi visto em lado nenhum, não foi certamente construído pela empresa fraudulenta! Sobre a decisão e quem a proferiu não há mais a acrescentar. Não é certamente por falta de teoria do direito mais recente e adequada que foi buscar um ministro do Estado Novo num livro de 1966!

Entretanto há dezenas de cópias dos comentários a circular pela rede. Fica a ligação para a página que o Portugal Uncut abriu com o espelho /reedição dos comentários alvo de censura.

Claro como água, os acontecimentos de dia 22 de Março, sem cortes. O Expresso pode ser muito bom cãozinho na obediência ao dono, mas a credibilidade (que já não era famosa, digamos) ficou aniquilada. De Miguel Macedo nem vale a pena falar. A legitimidade que as eleições lhe conferiram já tinha passado à história com a greve de 24 de Novembro, as declarações de um agente policial ao i, o relatório do SIS em jeito de ameaça e promessa de violência (notícia completa apenas na edição em papel), etc. Não tenhamos ilusões, sei bem que o ministro não se demite com facilidade, é até possível que fique enquanto o governo se mantiver. Pode ficar? Pode. Só não tem legitimidade.

“Ou isso ou fechamos” é a frase mais ouvida pelo país, em todos os sectores, em todas as regiões, para justificar os despedimentos, a perda de direitos dos trabalhadores e os cortes nos salários.

Cortar nos salários era dantes o último recurso, por diversos motivos:

  1. É injusto, os trabalhadores nunca são colectivamente responsáveis pelos maus resultados. Mesmo que haja uns mais competentes que outros, isso traduz-se em diversos passos, podendo mesmo levar ao despedimento de um ou outro trabalhador que nunca cumpra as suas funções, mas não é nunca imputável ao conjunto dos trabalhadores.
  2. É inconstitucional, o que dantes era problemático.
  3. Era socialmente inaceitável, pelas razões anteriores. A empresa e a direcção que o fizessem estariam sujeitas a um escrutínio público muito pouco favorável junto dos trabalhadores — que, trabalhando numa empresa que não os respeitava, procurariam outro emprego assim que possível —, junto dos potenciais trabalhadores, na comunidade local e junto dos consumidores.

Assim sendo, os gestores eram obrigados a gerir realmente, a fazer e refazer contas, a usar todos os conhecimentos e estratégias de gestão para encontrar meios legais e socialmente aceitáveis para fazer face aos problemas financeiros.

Depois de se tornar prática comum, quotidianamente presente nos serviços noticiários e nas conversas de amigos, familiares e vizinhos, é fácil a qualquer empregador alegar que “está toda a gente a fazer o mesmo”, “o país está assim”, “não somos nós, é igual em todo o lado”, “ou isso ou fechamos”. Os de maior desfaçatez ainda aviltam: “Preferem continuar a ganhar, ainda que menos ou que a empresa feche e deixem de ganhar de todo?”

Fácil. A dificuldade anterior era a da aceitação e do discurso, mas uma vez disseminada, a prática deixa de ser socialmente reprovável e o discurso perde dificuldade. Mais fácil que procurar soluções alternativas, mais fácil que auditar realmente até encontrar os verdadeiros responsáveis pelo problema, mais fácil que exigir responsabilidades a quem as tem. Cortar salários e/ou direitos e despedir gente são as soluções óbvias, que poupam nas contas e no conhecimento da gestão. Não é preciso ser gestor nem sequer minimamente inteligente para cortar salários ou despedir. Para evitar fazê-lo é que é.

Além disso, fica a dúvida sempre presente: será que há dificuldades reais na empresa ou apenas um aproveitamento para cavalgar a onda da facilidade e diminuir as despesas? Tantos são os casos de empresas com lucros multi-milionários que usam esta desculpa para despedir trabalhadores ou cortar salários, que essa dúvida fica sempre presente quando não há engenho para fazer melhor nem boa-vontade para não punir os trabalhadores.

Cartaz de Gui Castro Felga

No passado dia 10 de Abril a antiga Escola Primária da Fontinha no centro do Porto foi pacificamente ocupada por um grupo de activistas, que a recuperou, limpou, arranjou e lhe deu nova vida. No centro de um bairro degradado do Porto, a antiga escola estava há muitos anos fechada, abandonada e devoluta. Servia como centro de tráfico e consumo de droga, tornando-se num ponto perigoso daquele bairro. A informação detalhada sobre esta ocupação pode ser encontrada no site da Es.Col.A e num resumo aqui deixado pela Gui Catro Felga.

Com a ocupação ganhou nova vida, tornou-se num espaço cultural, onde as crianças do bairro da Fontinha podem brincar e desenvolver actividades de tempos livres em segurança. Tem uma programação variada e é um ponto de encontro e apoio social de toda a população da Fontinha.

Após a ocupação a Câmara Municipal do Porto mandou evacuar e enviou a polícia municipal numa brutal acção de despejo. Aproveitando o verão, as actividades continuaram na rua.

Meses depois a Assembleia Municipal deliberou a devolução do espaço ao grupo de activistas, desde que se constituíssem como associação, o que foi cumprido. Nasceu assim o Es.Col.A — Espaço Colectivo Autogestionado do Alto da Fontinha. Desde então a escola voltou a ser limpa, as obras de recuperação continuaram e a programação tem sido melhorada e recheada à medida que o tempo passa.

Agora a Câmara Municipal do Porto, ao contrário da decisão anterior, deu nova ordem de evacuação com data limite de 31 de Março, dia em que a polícia voltará a entrar na Es.Col.A.

Trata-se de uma iniciativa que dá aos moradores deste bairro carenciado serviços sociais que não eram antes providenciados pelo Estado, de forma social e economicamente sustentável.

Desta forma, o Portugal Uncut apoia este projecto e solidariza-se com o Es.Col.A — Espaço Colectivo Autogestionado do Alto da Fontinha. Apelamos a todos que assinem a petição online dirigida à Câmara Municipal do Porto para que deixe este projecto continuar o seu meritório trabalho.

(publicado em Portugal Uncut)

Se todos os blogs re-postarem o artigo dos PI, a AXES não vai poder lançar providências cautelares contra toda a blogosfera portuguesa! Por outro lado, se de facto o artigo tiver que ser apagado, fica aqui:

No dia seginte, fui então para o “terreno” com aquele que viria a ser o meu “leader” e mais dois colegas. O primeiro começou por fazer-me perguntas básicas: a minha experiência profissional, os meus objectivos, etc. Quando lhe disse que já tinha tido alguns empregos de Verão em lojas e que gostava do contacto com o público, ele respondeu: “Pois, mas vendedor qualquer idiota pode ser. Nós estamos a recrutar líderes, e a fase das vendas directas não é determinante, é apenas parte do processo.”. Eu não me recordava de me ter candidatado a chefe de equipa uma vez que, como já referi, sou estudante e estava apenas à procura de um part-time – mas enfim, se encontrasse algo melhor que um call center não me faria rogada. Posteriormente, fui bombardeada por uma série de questões e informações acerca da área das vendas directas (porta-a-porta), enquanto, literalmente, corria atrás do tal líder. Tive ainda que responder a um questionário sobre os meus pontos fortes e fracos (10 de cada), bem como mencionar 15 características de um bom líder. Para além disso, foi-me pedido que respondesse a 3 adivinhas e que dissesse como imaginava a minha vida em 1, 5 e 10 anos. Tudo isto enquanto subia e descia escadas.
Dada a dificuldade de encontrar na internet qualquer informação relevante acerca da empresa (que tem, pelo menos, três nomes) optei por pesquisar o nome do director e as minhas suspeitas confirmaram-se: a empresa não passa de um esquema para encher os bolsos de quem está no topo, não tanto através das vendas, mas sobretudo do recrutamento de “distribuidores” (nas três semanas em que lá trabalhei, entraram pelo menos vinte novas pessoas), que serão, também eles iludidos pela promessa de crescimento profissional e sugados por charlatães que tentam a todo o custo afastar-nos da realidade e que nos querem fazer crer que somos uns preguiçosos se o dia de trabalho não nos corre bem – mesmo depois de termos passado o dia inteiro à chuva, a bater a portas e a ouvir reclamações.

Um dos agressores, polícia à paisana

No dia da greve geral, de entre todas as detenções que foram consideradas improcedentes, houve uma que foi especialmente violenta. Ocultada pelos meios de comunicação social (mesmo a RTP, que mais tarde se gabou de ter estado presente) enquanto lhes foi possível, acabou por ser divulgada, depois da pressão de acrivistas sobre estes meios.

Um grupo de polícias à paisana, entre os quais o da fotografia, agrediram brutalmente um transeunte da Calçada da Estrela sem motivo aparente e com uma brutalidade desproporcionada e inapropriada (já que a vítima não ofereceu resistência nem estava armada). Quando finalmente divulgado o incidente, a PSP apressou-se a inventar um mandato de captura da Interpol e um alemão especialmente agressivo e procurado por acusações muito graves. MENTIRA! Sem vergonha, a polícia que deve proteger-nos mentiu.

Aqui pode consultar-se um relatório completo redigido com a ajuda de uma das testemunhas presentes e com as ligações para as reportagens sobre o caso.

Nous, on est déjà au XXIème, mais vous avez bien le temps de ratrapper, si vous vous en mettez vite fait!

Das coisas que mais me irritavam em França, esta ganhava. Socialmente, sempre que não estava num grupo que se tratasse na base do primeiro nome, as apresentações tinham uma ordem específica:
1) Mme ou mlle: casada ou solteira, pertence a um pai ou a um marido? Antes de tudo, a primeira coisa a declarar era casada ou solteira!
2) Apelido: nome do dono.
3) já não temos tempo… nem é nada de importante

Nos formulários oficiais, impostos, segurança social, universidade, qualquer coisa: no cabeçalho, primeira pergunta, antes do nome, antes de tudo, mme, mlle ou m. Se for mulher tem que declarar à cabeça se é casada ou solteira. Antes de tudo. Ainda não tem nome, não tem idade, não tem rendimentos a declarar, mas já tem dono.

Eu chamava-lhe primitivismo, filha da putice, medievo no pior dos sentidos, machismo inculcado nas carolas. Bestialidade. A avaliar pelos comentários que a ministra que propôs a abolição teve que ouvir, fui muito meiguinha no que lhes chamei. Bom… será que o hexágono chega algum dia ao século XXI?

 

VER PARA AGIR

Porque só depois de sabermos o que constitui cada pequena parcela da dívida pública poderemos saber o que pensar dela. Quando soubermos quanto devemos, a quem, a título de quê. Depois teremos nas nossas mãos toda a informação para pensar, reflectir sobre cada parcela da dívida e saber, assim, o que queremos exigir ao governo relativamente a cada uma (se alguma exigência há a fazer). Mas primeiro a informação, a transparência. É isso a auditoria: transparência e informação nas nossas mãos.

Cidadã, porque só a iniciativa cidadã garante total transparência. O governo tentaria esconder todos os erros dos governos passados do mesmo partido, para evidenciar apenas os erros do partido oposto. As grandes auditoras têm um papel tão importante na geração da crise e no lucro que dela tiram, que não garantem a menor imparcialidade. Portanto, apenas uma comissão designada pela cidadania pode conseguir a transparência necessária.

Na Irlanda o mesmo processo começa a produzir resultados concretos. Não é um processo vazio. Tem resultados.

Depois, de informação na mão e punho em riste, depende de nós o que fazer com ela.

Ligações:

http://auditoriacidada.info/

http://www.facebook.com/pages/Iniciativa-por-Uma-Auditoria-Cidad%C3%A3-%C3%A0-D%C3%ADvida-P%C3%BAblica/242233212502615

Aqui: “No Egeu, algo de novo?”

A proposta de referendo muito bem explicada pelo Luís Bernardo, com links, detalhes e respostas às perguntas mais óbvias.

Os trabalhadores das livrarias Bulhosa (e da editora Civilização) têm mais uma vez os ordenados em atraso, enquanto assistem às passeatas da administração, Audi para aqui, Frankfurt para ali.

É preciso acrescentar que um livreiro da Bulhosa ou da Bertrand, entre outros grandes grupos, recebem muito mal. Trabalham muitas vezes em centros comerciais com horários alargados, organizados por turnos. Até aqui, nada de errado, também os médicos tabalham por turnos. Acontece que nas livrarias os turnos são muitas vezes decididos com uma curtíssima antecedência, sem qualquer espaço para planeamento da vida privada — o que impossibilita, por exemplo, ter filhos para ir buscar à escola a horas certas.

Os trabalhadores da Bulhosa juntaram-se neste grupo do FaceBook para expôr a questão dos salários em atraso. A reacção da administração? Seria pagar os salários! Seria, se não fossem umas bestas. Na realidade, a reacção foi vasculhar os perfis de todos os seus empregados e ameaçar aqueles que tinham “amigado” a página nos seus perfis. Do pagamento não houve notícias, só souberam de ameaças. Eles continuam a resistir, mantêm a página actualizada e é assim que hão-de ganhar a luta.

Para já, têm a minha admiração pela coragem, a minha solidariedade e esta minha ajuda na divulgação.

Adiram à página “Os ordenados em atraso na Bulhosa” em sinal de solidariedade e pressão sobre a administração deste grupo.

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